Quando terminei o post falando sobre estilização de figuras mitológicas, usando o vampiro de exemplo, prometi que iria dizer como fiz minha estilização. Porém, aconteceram duas coisas: 1- Comecei a divagar o bastante para criar outro post e 2 - Encomendei o livro O Vampiro Antes de Drácula. Sendo assim, os fatos pertinentes ao Conservatório, em si, terão que ficar para a próxima. Primeiro, precisarei falar um pouco sobre antropofagia. Estômagos sensíveis, fechem essa tela.
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"Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente."
Assim começa o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. A maioria das pessoas talvez tenha uma vaga lembrança do chamado Movimento Antropofágico, das aulas de Literatura da escola. Foi um movimento criado por artistas modernistas (Arte Moderna, você conhece, né? NÉ?). Talvez uma lâmpadazinha se acenda em sua cabeça ao ver uma das pinturas mais icônicas desse movimento:
Esse quadro da Tarsila do Amaral se chama Abaporu, ou seja, "homem que come homem". Antropófago, em uma palavra. Mas o que isso tem a ver com a estilização de que eu falei no post anterior? Primeiro, entendamos o que era o Movimento Antropofágico. Em resumo resumidíssimo, ele pregava que nós devíamos "deglutir" a cultura de todos os povos que nos cercavam - europeus, africanos, índios, etc, etc - e usar seus elementos para construir nossa própria. A metáfora é fácil de ser entendida: quando comemos uma planta, um bicho (ou uma pessoa, claro), nós mastigamos, digerimos e absorvemos seus nutrientes. Eles são incorporados a nós e passam a ser parte de nós. Não somos couve porque comemos couve. A couve é desmontada, transformada e se torna parte do nosso corpo. O mesmo se daria com o contato com a cultura de outros povos: deveríamos mastigá-la, digeri-la, absorvê-la e usá-la para fortalecer nossa própria cultura, ao invés de simplesmente imitar os gringos.
Pois bem. Falei isso tudo porque é a metáfora que vou usar para falar sobre um tema que frequentemente causa polêmica entre os escritores: pesquisa para montar os personagens.
No post anterior, comentei sobre a importância de conhecermos o que vai na cabeça do leitor sobre uma criatura qualquer ao escrever sobre ela. A ferramenta para isso é a boa e velha pesquisa. Mas como fazer essa pesquisa? Quão fundo ir? Vamos atacar o assunto jackestripadoramente. Para efeitos didáticos, vamos dividir a pesquisa em duas: pesquisa acadêmica e pesquisa pop. (Isso não existe em lugar nenhum, eu é que obsessivamente categorizo qualquer coisa que ocupe meu pensamento por mais de cinco minutos. :P)
Pesquisa acadêmica seria a pesquisa que é feita sobre o tema nos meios acadêmicos. Se seu tema é vampiros, é saber de onde veio a lenda, como ela se desenvolveu, quais podem ter sido suas bases reais, o que os estudiosos dizem sobre ele e sobre seu simbolismo, etc, etc. Existe um time de escritores (geralmente os mais novos) que torce o nariz para esse tipo de pesquisa, achando um gasto de tempo inútil.
Pesquisa pop, por outro lado, seria a pesquisa sobre como o tema é tratado pela mídia. É saber o que já foi feito com aquele tema e o que caiu em gosto popular. O que os fãs acham do tema, o que é que está no topo das paradas de sucesso... Tem escritores (geralmente os mais velhos) que acha que ela se restringe a livros e é uma parte quase dispensável, se você fez bem sua pesquisa acadêmica.
Gente, nem tanto o céu, nem tanto a Terra. A imagem das duas asas encaixa muito bem nessa situação. Você não voa se uma dessas duas asas da pesquisa estiver atrofiada.
A pesquisa acadêmica é essencial para você saber a respeito do que está falando. Lembram-se de Jesus Cristo? "A verdade vos libertará." Conhecimento liberta. Quanto mais facetas você conhece do tema que está lidando (sejam vampiros, seja Idade Média), mais inspirado e seguro você se sente ao lidar com ele. Muitos problemas de trama que nos fazem ficar dias pensando podem ser resolvidos ao se descobrir o histórico de um ser mitológico. Num exemplo prático, digamos que você queira escrever uma história com elfos e orcs, porque acabou de leu Tolkien e quer criar uma história daquele jeito. Ao buscar conhecer "o elfo antes de Tolkien", ou a simbologia que os elfos e orcs têm no trabalho de Tolkien, de repente, pode ser que você descubra elementos novos para sua história, para criar algo original. Ler artigos, livros acadêmicos e manuais de mitologia pode ser chato no início, mas te juro: assim que você fizer a primeira descoberta bacana, que vai resolver aquele furo na trama que tava te assombrando, você toma gosto pela coisa.
Já a pesquisa pop pode parecer um pouco "tola", ainda mais se você não quer ser um autor de best-sellers (há quem não queira, OK?). Mas ela é fundamental! Saber o que as massas pensam, no mínimo, nos dá uma pista do que há no tema que você escolheu e que mexe com as emoções das pessoas. Além disso, a prática de se fazer pequenas homenagens a obras famosas do tema que você está escrevendo cria uma espécie de laço de afeto entre o leitor e seu livro. Não homenagens demais, que dêem a sensação que o leitor está jogando "onde está Wally?", mas algumas. E o mais importante: quando eu disse "obras", não falei só de livros. Falei de filmes, games, animações, mangás e HQs, e tudo o mais.
Já ouvi muitas pessoas dizerem "eu não gosto de ler livros com tema parecido com o meu porque, depois, eu copio o estilo sem querer". Gente, isso é natural e não é desculpa. Voltando à metáfora da antropofagia, quando você come alguma coisa e entra numa montanha russa logo depois, o resultado é óbvio: você vai vomitar um caldo semidigerido, onde pedaços do alimento original ainda são reconhecíveis. É preciso dar um tempo para o organismo digerir o alimento e absorver. Eu sou uma que não leio enquanto escrevo e vice-versa. Não consigo. Deixe essa pressa pra escrever pra trás, que não leva a nada. Seja um antropófago cultural: pegue a referência e dê tempo para que ela se torne parte de você, ao invés de ficar vomitando pedaços de cultura estrangeira. Só assim você cria identidade.
Um argumento oposto e igualmente preguiçoso é o de que "eu não fico lendo coisas com o mesmo tema que o meu pra ser original e não copiar ninguém". Gente, não se faz tijolos sem barro. E acreditem em mim, o leitor não liga A MÌNIMA se você leu ou não fulano. Se você fizer algo igual ao que ele fez, vão cair em cima do mesmo jeito. Afinal, COMO você não sabia que fulano fez algo igual? Nessas horas, a gente tem que ser humilde e pensar que nós não somos a pessoa mais criativa do universo. Uma simples referência àquele que teve uma ideia igualzinha à nossa já costuma bastar para transformar o que seria um "defeito" em um elo de ligação com o leitor. O que era um erro devido à desinformação se torna um atrativo.
Antes de encerrar o post, vou apresentar a quem não conhece o mapa da mina para quem quer ser um escritor sério e bem informado. Como nem sempre é possível ler/ver/jogar tudo o que sai sobre um tema, a gente geralmente tem que recorrer a resenhas, resumos e bate-papo com amigos. Mas o melhor lugar para você saber se é mesmo um escritor original ou não é http://tvtropes.org/. Esse site é uma wiki que cataloga vários "truques" comuns no desenvolvimento de uma trama (os tais tropos - eita palavra feia!), e dão uma lista impressionante das obras de todos os tipos onde eles aparecem e onde são subvertidos. Alguns tropos têm até exemplos na vida real. Usem o site sem moderação, mas cuidado. E não se deprima se perceber que tem mais de 300 obras que usaram o mesmo truque de narrativa que você. Só espero que se convença de que originalidade absoluta e total faz companhia a superfícies sem atrito e gases ideais.
Agora que estão armados até os dentes, boa sorte com a escrita e a estilização de personagens. o/
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Retorno aos vampiros na parte 3. Beijos!
domingo, 9 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Parada para o merchan
Pessoal, pessoal, pessoal! Vai sair na segunda quinzena de maio!
A Editora Draco vai lançar uma coletânea de histórias românticas estreladas por vampiros e adivinha quem tá lá? *pausa para dancinha da vitória* Clique aqui para ver o site da editora com a chamada do livro a minibiografia das autoras.
A capa ficou BEM menininha. Olha ela aqui:
Mas não se enganem, nem tudo é cor-de-rosa. O organizador, Eric Novello, fala sobre "Meu amor é um vampiro" no site dele e aproveita para fazer uma microsinopse dos contos. Dêem uma lidinha aqui.
Ele descreve meu conto como um "conto de fadas repaginado". Será que vai ficar bravo comigo se eu disser que a parte do "conto de fadas" entrou pra contar caracteres? XD Mas confesso que gostei mil vezes mais da versão que mandei pro livro que a versão original, mais enxuta.
(Outro detalhe que felizmente ficou de fora do conto é que o Pedro é um escritor boêmio, mulherengo e solteirão, mas que tem imaginação o bastante para passar por romântico. Esse tipo de informação quebraria o clima. XD)
No mais, só quero agradecer à ruiva Agnes Mirra, porque o conto foi feito usando como mote a citação do conto dela, "Inverno". Tem um tempão que a gente não se fala, mas continuo gostando dos delírios agnescos dela. =3
No mais, iuhul! \o/
A Editora Draco vai lançar uma coletânea de histórias românticas estreladas por vampiros e adivinha quem tá lá? *pausa para dancinha da vitória* Clique aqui para ver o site da editora com a chamada do livro a minibiografia das autoras.
A capa ficou BEM menininha. Olha ela aqui:
Mas não se enganem, nem tudo é cor-de-rosa. O organizador, Eric Novello, fala sobre "Meu amor é um vampiro" no site dele e aproveita para fazer uma microsinopse dos contos. Dêem uma lidinha aqui.
Ele descreve meu conto como um "conto de fadas repaginado". Será que vai ficar bravo comigo se eu disser que a parte do "conto de fadas" entrou pra contar caracteres? XD Mas confesso que gostei mil vezes mais da versão que mandei pro livro que a versão original, mais enxuta.
(Outro detalhe que felizmente ficou de fora do conto é que o Pedro é um escritor boêmio, mulherengo e solteirão, mas que tem imaginação o bastante para passar por romântico. Esse tipo de informação quebraria o clima. XD)
No mais, só quero agradecer à ruiva Agnes Mirra, porque o conto foi feito usando como mote a citação do conto dela, "Inverno". Tem um tempão que a gente não se fala, mas continuo gostando dos delírios agnescos dela. =3
No mais, iuhul! \o/
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Estilizando o vampiro, ou o erro fatal de Stephenie Meyer
Eu ia simplesmente chamar vocês para darem uma lida no beta do Conservatório, mas achei melhor fazer uma ligeiríssima nota sobre vampiros em geral, inspirada na pergunta com que vêm me enchendo o saco há um tempo: "por que o Diego toma sol e não acontece nada? Mimimi..."
Zente, desculpem se eu digo isso, mas vampiros se desfazendo em cinzas com inocentes raios de sol é uma invenção hollywoodianesca tão tosca quanto os vampiros brilhantes de Crepúsculo (é, Edward, Diego não perdoou você). O fato é que filmes são muito mais curtos que livros, então, há certas liberdades poéticas que foram tomadas com os vampiros ao longo dos anos que não existiam originalmente no mito.
Vocês devem estar se perguntando agora, então: por que os vampiros-fogueira foram aceitos enquanto os brilhantes são toscos, se nenhuma das duas pirotecnias tem qualquer base?
Antes de mais nada, vamos sair da esfera literária e aprender uma ou duas coisinhas bacanas sobre desenho. Existe uma técnica chamada "estilização". Estilizar significa reduzir uma figura às formas mais simples possíveis, sem que ela perca sua identidade. Pablo Picasso estilizou um touro em uma série de desenhos muito famosa:
Percebem? Entre o primeiro touro, o mais realista, e o último, apenas um punhado de traços, houve vários intermediários. Mas todas as figuras têm em comum o fato de que são, inegavelmente touros. A identidade do animal não se perdeu.
O que isso tem a ver com o assunto anterior?
Simples. Quando vamos nos apropriar de uma figura mitológica já conhecida, não somos obrigados a fazê-lo de forma absolutamente realística, como o primeiro touro, mas, ao estilizá-la, precisamos ter certeza de que estamos suprimindo traços realmente supérfluos. O touro estilizado de Picasso não pareceria um touro se o pintor tivesse se esquecido os chifres, por exemplo. Ou, se lhe tivesse dado o contorno de um cavalo, o faria parecer mais um cervo que um touro.
É aí que entra a diferença entre o vampiro-tocha e o vampiro-purpurina. Stephenie Meyer cometeu erros sérios de estilização ao criar seu vampiro. Ela manteve três atributos importantes do vampiro: ele é morto, ele é sedutor e ele bebe sangue. Fim de papo. Alguém percebeu que falta algo muito importante aqui? O @cericn e a @anacarolinars perceberam. Não?
Eles não são noturnos! Desde a aurora da humanidade, os vampiros são um mal. E, como dizia Conan Doyle, é à noite que os poderes do mal são exaltados. Parece bobagem, mas ao fazer com que eles andassem pra lá e pra cá impunemente à luz do Sol e quase não tivesse cenas à noite na série Crepúsculo, Meyer tirou os chifres do touro. Não é porque os vampiros brilham. É só que nosso subconsciente nos diz, instintivamente, que eles não se enquadram exatamente naquilo que nos acostumamos a chamar de vampiros.
Não tenho a pretensão de ser capaz de estilizar perfeitamente os vampiros. Até porque, acredito que possam haver formas diferentes de estilização, mas que tragam a mesma ideia. Para ilustrar o que digo, vou listar algumas características que acredito serem básicas de um vampiro, sejam visuais, sejam literárias (isso na minha cabeça, claro):
1 - Eles bebem sangue
2 - Eles se levantam de túmulos
3 - Eles são noturnos
4 - Eles são pálidos
5 - Eles têm caninos
6 - Eles encantam suas vítimas
7 - Eles são fortes
8 - Eles não morrem de morte natural
Acho que dá para começar com isso. Um vampiro com todas essas características é inegavelmente um vampiro para qualquer um. Mas eu o compararia ao penúltimo dos touros de Picasso. Acredito que um vampiro estilizado poderia conter tanto as características 1, 3, 7 e 8 quanto as características, digamos, 3, 6, 7 e 8. Sim, ele poderia se alimentar de algo que não sangue. Quanto casos há dos tais vampiros de energia? O caso dos caninos, admito, coloquei mais por questões estéticas que lógicas ou históricas. Mas é que, se você apresentar um smiley, ele logo será identificado como um ser humano. Se apresentá-lo com presas, será identificado como vampiro, tal a força dos caninos longos no imaginário popular.
Se você pegar 2, 7 e 8, terá um zumbi. A estilização estaria incompleta. Percebem? Há várias formas de se fazer a estilização, muitas que funcionam, mas um bocado que dá ideias erradas. Escolher as características certas nem sempre é fácil.
A moral da história não é, exatamente, a de que é dever de honra de um escritor ser convencional no momento de usar uma figura mitológica, nem esse blá-blá-blá intelectual chato. Gostem os ranzinzas ou não, Stephenie Meyer FEZ sucesso com seus vampiros incompletos, mas até muitos de seus fãs reconhecem que os vampiros dela são muito diferentes do tradicional. Receio que, se ela não tivesse atingido as leitoras em cheio com sua trama açucarada, ela seria um motivo ainda maior de piadas. Minha mensagem é que, se alguém quer se aproveitar de qualquer criatura mitológica, e pretende fazer isso sem criar uma criatura diferente e usar o nome antigo (o que pode dar certo se você é um gênio ou tem sorte, mas terrivelmente errado se não é ou não tem - e menos de 1% dos escritores são gênios, menos ainda têm sorte), tem que tomar cuidado na estilização.
É verdade que a imagem dos vampiros (por exemplo) mudou muito desde as primeiras histórias de cadáveres sugadores de sangue até hoje. Mas isso não foi de uma história para outra. Foi gradativo e, até onde pude notar correndo os olhos em histórias de vampiros do século XIX, eles acrescentaram muitas coisas ao mito original, mas tiraram bem poucas. Ainda usando comparações desenhísticas, creio que eles pegaram um rascunho (geralmente, criaturas mitológicas em seu estado bruto não são muito mais que isso, vide descrições de lendas brasileiras) e o arte-finalizaram, mas permitido que ainda fossem reconhecíveis os traços principais. Pegar esse desenho e distorcê-lo até só sobrar o branco dos olhos é como revisitar a Monalisa desenhando uma loura de biquíni. Pode ser um desenho sensacional, mas se a tal loura não tiver nem o sorriso misterioso da Gioconda, como um desavisado poderia dizer que se trata de uma revisitação de DaVinci?
Sejam responsáveis, pessoal. Ser original é criar coisas novas, mas ser original também é usar coisas antigas de um jeito diferente. Ficou muito na moda dizer “meus vampiros”, “seus vampiros”, “meu lobisomem”, “seu lobisomem”, mas isso é errado. “Vampiro” e “lobisomem” são ideias. Embora cada pessoa os veja de um jeito, existe aquilo que está no inconsciente coletivo. Não subestime o que as outras pessoas pensam a respeito do tema que você está tratando. São essas pessoas que vão te ler.
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(No próximo post, farei alguns comentários sobre como fiz minha estilização. Talvez ajude a dar uma ideia de como fazer isso pra alguém que não tenha ideia de como fazer. De bônus, virão uns links bacanas. Até lá. o/)
Zente, desculpem se eu digo isso, mas vampiros se desfazendo em cinzas com inocentes raios de sol é uma invenção hollywoodianesca tão tosca quanto os vampiros brilhantes de Crepúsculo (é, Edward, Diego não perdoou você). O fato é que filmes são muito mais curtos que livros, então, há certas liberdades poéticas que foram tomadas com os vampiros ao longo dos anos que não existiam originalmente no mito.
Vocês devem estar se perguntando agora, então: por que os vampiros-fogueira foram aceitos enquanto os brilhantes são toscos, se nenhuma das duas pirotecnias tem qualquer base?
Antes de mais nada, vamos sair da esfera literária e aprender uma ou duas coisinhas bacanas sobre desenho. Existe uma técnica chamada "estilização". Estilizar significa reduzir uma figura às formas mais simples possíveis, sem que ela perca sua identidade. Pablo Picasso estilizou um touro em uma série de desenhos muito famosa:
Percebem? Entre o primeiro touro, o mais realista, e o último, apenas um punhado de traços, houve vários intermediários. Mas todas as figuras têm em comum o fato de que são, inegavelmente touros. A identidade do animal não se perdeu.
O que isso tem a ver com o assunto anterior?
Simples. Quando vamos nos apropriar de uma figura mitológica já conhecida, não somos obrigados a fazê-lo de forma absolutamente realística, como o primeiro touro, mas, ao estilizá-la, precisamos ter certeza de que estamos suprimindo traços realmente supérfluos. O touro estilizado de Picasso não pareceria um touro se o pintor tivesse se esquecido os chifres, por exemplo. Ou, se lhe tivesse dado o contorno de um cavalo, o faria parecer mais um cervo que um touro.
É aí que entra a diferença entre o vampiro-tocha e o vampiro-purpurina. Stephenie Meyer cometeu erros sérios de estilização ao criar seu vampiro. Ela manteve três atributos importantes do vampiro: ele é morto, ele é sedutor e ele bebe sangue. Fim de papo. Alguém percebeu que falta algo muito importante aqui? O @cericn e a @anacarolinars perceberam. Não?
Eles não são noturnos! Desde a aurora da humanidade, os vampiros são um mal. E, como dizia Conan Doyle, é à noite que os poderes do mal são exaltados. Parece bobagem, mas ao fazer com que eles andassem pra lá e pra cá impunemente à luz do Sol e quase não tivesse cenas à noite na série Crepúsculo, Meyer tirou os chifres do touro. Não é porque os vampiros brilham. É só que nosso subconsciente nos diz, instintivamente, que eles não se enquadram exatamente naquilo que nos acostumamos a chamar de vampiros.
Não tenho a pretensão de ser capaz de estilizar perfeitamente os vampiros. Até porque, acredito que possam haver formas diferentes de estilização, mas que tragam a mesma ideia. Para ilustrar o que digo, vou listar algumas características que acredito serem básicas de um vampiro, sejam visuais, sejam literárias (isso na minha cabeça, claro):
1 - Eles bebem sangue
2 - Eles se levantam de túmulos
3 - Eles são noturnos
4 - Eles são pálidos
5 - Eles têm caninos
6 - Eles encantam suas vítimas
7 - Eles são fortes
8 - Eles não morrem de morte natural
Acho que dá para começar com isso. Um vampiro com todas essas características é inegavelmente um vampiro para qualquer um. Mas eu o compararia ao penúltimo dos touros de Picasso. Acredito que um vampiro estilizado poderia conter tanto as características 1, 3, 7 e 8 quanto as características, digamos, 3, 6, 7 e 8. Sim, ele poderia se alimentar de algo que não sangue. Quanto casos há dos tais vampiros de energia? O caso dos caninos, admito, coloquei mais por questões estéticas que lógicas ou históricas. Mas é que, se você apresentar um smiley, ele logo será identificado como um ser humano. Se apresentá-lo com presas, será identificado como vampiro, tal a força dos caninos longos no imaginário popular.
Se você pegar 2, 7 e 8, terá um zumbi. A estilização estaria incompleta. Percebem? Há várias formas de se fazer a estilização, muitas que funcionam, mas um bocado que dá ideias erradas. Escolher as características certas nem sempre é fácil.
A moral da história não é, exatamente, a de que é dever de honra de um escritor ser convencional no momento de usar uma figura mitológica, nem esse blá-blá-blá intelectual chato. Gostem os ranzinzas ou não, Stephenie Meyer FEZ sucesso com seus vampiros incompletos, mas até muitos de seus fãs reconhecem que os vampiros dela são muito diferentes do tradicional. Receio que, se ela não tivesse atingido as leitoras em cheio com sua trama açucarada, ela seria um motivo ainda maior de piadas. Minha mensagem é que, se alguém quer se aproveitar de qualquer criatura mitológica, e pretende fazer isso sem criar uma criatura diferente e usar o nome antigo (o que pode dar certo se você é um gênio ou tem sorte, mas terrivelmente errado se não é ou não tem - e menos de 1% dos escritores são gênios, menos ainda têm sorte), tem que tomar cuidado na estilização.
É verdade que a imagem dos vampiros (por exemplo) mudou muito desde as primeiras histórias de cadáveres sugadores de sangue até hoje. Mas isso não foi de uma história para outra. Foi gradativo e, até onde pude notar correndo os olhos em histórias de vampiros do século XIX, eles acrescentaram muitas coisas ao mito original, mas tiraram bem poucas. Ainda usando comparações desenhísticas, creio que eles pegaram um rascunho (geralmente, criaturas mitológicas em seu estado bruto não são muito mais que isso, vide descrições de lendas brasileiras) e o arte-finalizaram, mas permitido que ainda fossem reconhecíveis os traços principais. Pegar esse desenho e distorcê-lo até só sobrar o branco dos olhos é como revisitar a Monalisa desenhando uma loura de biquíni. Pode ser um desenho sensacional, mas se a tal loura não tiver nem o sorriso misterioso da Gioconda, como um desavisado poderia dizer que se trata de uma revisitação de DaVinci?
Sejam responsáveis, pessoal. Ser original é criar coisas novas, mas ser original também é usar coisas antigas de um jeito diferente. Ficou muito na moda dizer “meus vampiros”, “seus vampiros”, “meu lobisomem”, “seu lobisomem”, mas isso é errado. “Vampiro” e “lobisomem” são ideias. Embora cada pessoa os veja de um jeito, existe aquilo que está no inconsciente coletivo. Não subestime o que as outras pessoas pensam a respeito do tema que você está tratando. São essas pessoas que vão te ler.
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(No próximo post, farei alguns comentários sobre como fiz minha estilização. Talvez ajude a dar uma ideia de como fazer isso pra alguém que não tenha ideia de como fazer. De bônus, virão uns links bacanas. Até lá. o/)
sexta-feira, 26 de março de 2010
E a obrigatória resenha de... Crepúsculo
Essa TINHA que entrar no blog, ara sô. XD Talvez um dia eu também tenha coragem de postar uma que fiz sobre o simbolismo bem-mal em Drácula. Talvez.
Essa resenha foi publicada na comunidade Escritores de Fantasia, em 14/01/2009
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Crepúsculo meio que surgiu como leitura obrigatória, para mim, principalmente pelo sucesso com as adolescentes e pré-adolescentes. Eu precisava ler, e ver até onde o livro tinha mérito por isso. Quer dizer, apesar de tudo, podia ser um livro bom. Muito restrito a seu público, mas bom. Fingi que era um artigo acadêmico e fui.
Para ser justa, preciso dizer que ele é nota 10 em termos de dizer exatamente o que uma garota no início da adolescência (e muitas ficam assim até a velhice... brr...) quer ouvir. Faça sentido, ou não. Quero dizer, meninas (a partir daqui, "meninas" vai significar qualquer mulher que aja como uma pré-adolescente, em qualquer idade) não ligam se não existem detalhes como ação, suspense, subtramas e essas coisas, desde que haja romance e fofocas. E isso, o livro tem.
Ouso dizer que, se tivesse lido Crepúsculo nos meus quinze anos, teria me envolvido bem mais com a trama. Assim como a protagonista, eu acabava de voltar para a geladeira da minha cidade natal depois de alguns anos numa cidade grande, e não estava particularmente animada.
O que me leva à conclusão interessante de que a personalidade e background de Bella parecem ter sido montados com todo o cuidado, para que a personagem tivesse empatia com o maior número possível de meninas. Quase toda adolescente/pré-adolescente pode ver alguma coisa sua nessa moça - ela parece ter sofrido todo tipo de experiência que se pode ter nessa idade.
Muitas pessoas reclamaram da falta de ação do livro, mas já expliquei isso... Ele é um livro para meninas. (Sem protestos sexistas aqui, pessoal.) Se algum rapaz gosta, é acidental. O público alvo nunca foram os homens e ponto. E posso imaginar minha irmã mais nova, de 16, devorando todas as páginas sem perder o interesse, ainda que a única briga da trama não tenha sido mostrada. (Raios! ) O fato de os vampiros brilharem ao Sol nem chega a ser um defeito (embora seja meio... ah, não consigo pensar em uma palavra que exprima isso): vocês estão carecas de saber o quanto mulheres gostam de coisas brilhantes. :D
OK, fui justa. Agora que soprei, peço licença de morder. =3
O defeito de Crepúsculo está em não ter elaborado melhor algumas coisas. Por exemplo, os diálogos entre Bella e Edward, no início da trama. Caramba! Dá pra perceber que a autora tentou criar algo misterioso, cheio de meias-respostas, e tal, pra criar um clima romântico. Pode funcionar com as meninas, mas não com um leitor mais experiente. Para mim, muitas vezes soavam como frases aleatórias, que dificilmente alguém diria numa conversa. Quando a autora, enfim, abandona a linha das meias-respostas, por parte de Edward, a coisa melhora um pouco. Mesmo assim, tem umas frases dele que, mesmo que você faça o desconto de ele ter seus 100 anos, pelo amor de Deus!
E, que fique claro, se a Bella usasse, só mais uma vez, a palavra “perfeição” para se referir a Edward, eu entraria no livro para dar um bofetão nela. Tá, toda menina cegamente apaixonada acha seu namorado perfeito. Mas tem maneiras menos acintosas de se colocar isso num livro. Mesmo num livro narrado em primeira pessoa pela adolescente em questão.
Falando nisso, acho que os personagens mais críveis na história toda são os colegas normais de Bella, e o pai da menina. Charlie é fofo. =3 Sabem, não sou muito exigente em termos de empatia com personagens. E tenho uma fraqueza vergonhosa por garotos ruivos de olhos verdes. Assim sendo, o fato de eu não ter dado a mínima para Edward Cullen é fato digno de preocupação para qualquer autor. Ainda mais com esse nome, um dos meus preferidos. (Tô falando que, se eu tivesse lido Crepúsculo há alguns anos...)
Na verdade, uma boa terapia não faria mal para os protagonistas do livro. Lembram que eu disse que Bella tinha um pouco de cada menina que pudesse ler o livro? Infelizmente, ela incorpora, e de forma alarmante, a obsessão que algumas têm pela presença do namorado. Bella não está apaixonada por Edward – ela está obcecada, de forma doentia. Tirando a perfeição (grrr...) física dele, e o fato de ele ter lá seus poderes, ela não dá mais nenhum motivo pelo qual gosta dele. Vez por outra, ela menciona que ele é gentil e atencioso, mas bem por alto. O negócio é ficar olhando pra ele, babando por ele, se derretendo quando ele olha para ela, quando sorri para ela. Mesmo levando em conta que ele tem o tal do “charme vampírico”, isso vai longe demais. E, depois que eles começam a andar juntos, a menina praticamente surta se Edward não fica com ela 24 horas por dia!
Já Edward, esse também tem sérios problemas. Acho que Bella está certa quando diz que ele tem múltiplas personalidades. É a única coisa que explica tantas mudanças de humor e tantas incoerências em tão curto espaço de tempo. Certo, eu entendi o que a Stephenie quis fazer com ele: mostrar que ele está balançado entre a vontade de estar com Bella e o medo de saltar no pescoço dela, se ficar perto demais. Perfeito. Nesse ponto, aliás, se encaixa muito bem o fato de ele estar sempre seguido a moça. Só que as atitudes dele simplesmente não fazem sentido! O mais verossímil, nessa situação, era ele não se dirigir a ela e adotar alguma linha de defesa – ou o silêncio, ou a permanente agressividade. Mesmo que se amaldiçoasse depois, por isso. Mas não, ele não pára de falar com ela. Faz a menina se derreter por ele (por falar nisso, como Bella disse, não dá pra acreditar que ele não saiba o efeito que causa nas pessoas), e depois diz “é melhor não sermos amigos”, “é melhor ficar longe de mim”... Seria melhor se a Stephenie se decidisse se queria um Edward complexado ou um Edward conquistador.
A coisa que achei mais no lugar, na personalidade do rapaz, é o fato de ele perguntar, de segundo em segundo, o que Bella está pensando. Afinal, ele estava acostumado a ler a mente de todos, e não saber o que a menina que ele gosta – justo ela – está pensando deve ser mesmo uma tortura. Isso, aliás, foi até um jeito legal de justificar o interesse dele por ela.
Outra coisa sobre Edward são todos os meses que ele passa visitando-a no quarto dela, sem rolar nada. (meses, porque li a série toda. :P) Aaaaah, qualé! Mais uma vez, a Stephanie não se decide que abordagem quer dar ao Edward, e acaba num meio termo sem bases. Se ele é tão complexado com a possibilidade de matar a Bella, o melhor era nem aparecer no quarto. Ele diz que sente desejo por ela – isso seria motivo suficiente para ou ele nem pôr os pés lá, ou mandar a precaução às favas logo de uma vez. :\ (Aliás, cá pra nós... Ficar vendo uma pessoa dormir a noite inteirinha pode ser divertido ou interessante? Por mais que ela fale no sono?!)
No fundo, Edward age como toda menina queria que o príncipe encantado agisse. Mas não sei se é possível existir alguém que aja exatamente assim. As pessoas são mais complexas que isso – mas não tão complexas a ponto de agir como Edward age.
A conclusão sobre os protagonistas é que eles não causam empatia em mim simplesmente por não terem individualidade. Bella é um amálgama de várias garotas (mais um transtorno obsessivo por Edward), e Edward é um misto de todas as expectativas que uma menina tem sobre o apaixonado ideal. Eles não são o que são, são o que querem que sejam. Isso tira muito da força deles, como personagens. Claro que eu concordo que Bella é mais um convite para que a menina se coloque no lugar da protagonista, e Edward, mais uma estátua para ser admirada (talvez por isso, Bella só goste da beleza dele, e mais nada), mas eu preferia que eles fossem mais gente.
Conclusão da leitura: a que eu esperava. Como eu disse lá no início, Crepúsculo é um livro para meninas. Só isso, mais nada. É um livro para as meninas se imaginarem, por um segundo, ao lado do namorado perfeito. Claro que é 100% escapista – nenhuma menina pode achar que, se agir como Bella, terá seu Edward. Na verdade, qualquer garoto de verdade se cansaria da obsessão da Bella, depois de algum tempo. Mas nada – nada – tira dele o mérito de mexer tanto com as fantasias de garotas adolescentes, a ponto de virar o fenômeno que virou.
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Complemento sobre os outros livros da série:
Bom, minha curiosidade é uma força da natureza forte demais pra ser ignorada, principalmente quando a chave para saciá-la está ao alcance. Eu tinha os quatro livros da série em mãos. Como poderia não lê-los?
Sim, Lua Nova é irritante. Mas tem uma parte boa, e essa parte é Jacob. Ele consegue, em Eclipse, o que faltava em Crepúsculo: dar uma individualidade a Bella e Edward. Eles finalmente descem de seus pedestais e viram gente, especialmente Edward. E a obsessão da Bella está muito mais controlada depois de Lua Nova. (Ufa!) Eclipse, o terceiro livro, é bem melhor que os outros dois e Breaking Dawn (o último lançado, sem tradução oficial) é melhor que Eclipse. :P
A Stephenie realmente evoluiu de livro para livro. Mas uma coisa, preciso frisar. Continua sendo um livro "de meninas" até o fim. Meu lado testosterona quer matar essa mulher por criar, em todos os livros, o maior climão de brigas homéricas e, em três dos quatro livros, fazer tudo acabar em pizza.
SPOILERS:
E, sim, depois de muito mimimi, os dois pombinhos finalmente vão pra cama. Depois do casamento, mas vão. E esse ato tem conseqüências, que é o que faz Breaking Dawn mais interessante que os outros. :D"
Essa resenha foi publicada na comunidade Escritores de Fantasia, em 14/01/2009
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Crepúsculo meio que surgiu como leitura obrigatória, para mim, principalmente pelo sucesso com as adolescentes e pré-adolescentes. Eu precisava ler, e ver até onde o livro tinha mérito por isso. Quer dizer, apesar de tudo, podia ser um livro bom. Muito restrito a seu público, mas bom. Fingi que era um artigo acadêmico e fui.
Para ser justa, preciso dizer que ele é nota 10 em termos de dizer exatamente o que uma garota no início da adolescência (e muitas ficam assim até a velhice... brr...) quer ouvir. Faça sentido, ou não. Quero dizer, meninas (a partir daqui, "meninas" vai significar qualquer mulher que aja como uma pré-adolescente, em qualquer idade) não ligam se não existem detalhes como ação, suspense, subtramas e essas coisas, desde que haja romance e fofocas. E isso, o livro tem.
Ouso dizer que, se tivesse lido Crepúsculo nos meus quinze anos, teria me envolvido bem mais com a trama. Assim como a protagonista, eu acabava de voltar para a geladeira da minha cidade natal depois de alguns anos numa cidade grande, e não estava particularmente animada.
O que me leva à conclusão interessante de que a personalidade e background de Bella parecem ter sido montados com todo o cuidado, para que a personagem tivesse empatia com o maior número possível de meninas. Quase toda adolescente/pré-adolescente pode ver alguma coisa sua nessa moça - ela parece ter sofrido todo tipo de experiência que se pode ter nessa idade.
Muitas pessoas reclamaram da falta de ação do livro, mas já expliquei isso... Ele é um livro para meninas. (Sem protestos sexistas aqui, pessoal.) Se algum rapaz gosta, é acidental. O público alvo nunca foram os homens e ponto. E posso imaginar minha irmã mais nova, de 16, devorando todas as páginas sem perder o interesse, ainda que a única briga da trama não tenha sido mostrada. (Raios! ) O fato de os vampiros brilharem ao Sol nem chega a ser um defeito (embora seja meio... ah, não consigo pensar em uma palavra que exprima isso): vocês estão carecas de saber o quanto mulheres gostam de coisas brilhantes. :D
OK, fui justa. Agora que soprei, peço licença de morder. =3
O defeito de Crepúsculo está em não ter elaborado melhor algumas coisas. Por exemplo, os diálogos entre Bella e Edward, no início da trama. Caramba! Dá pra perceber que a autora tentou criar algo misterioso, cheio de meias-respostas, e tal, pra criar um clima romântico. Pode funcionar com as meninas, mas não com um leitor mais experiente. Para mim, muitas vezes soavam como frases aleatórias, que dificilmente alguém diria numa conversa. Quando a autora, enfim, abandona a linha das meias-respostas, por parte de Edward, a coisa melhora um pouco. Mesmo assim, tem umas frases dele que, mesmo que você faça o desconto de ele ter seus 100 anos, pelo amor de Deus!
E, que fique claro, se a Bella usasse, só mais uma vez, a palavra “perfeição” para se referir a Edward, eu entraria no livro para dar um bofetão nela. Tá, toda menina cegamente apaixonada acha seu namorado perfeito. Mas tem maneiras menos acintosas de se colocar isso num livro. Mesmo num livro narrado em primeira pessoa pela adolescente em questão.
Falando nisso, acho que os personagens mais críveis na história toda são os colegas normais de Bella, e o pai da menina. Charlie é fofo. =3 Sabem, não sou muito exigente em termos de empatia com personagens. E tenho uma fraqueza vergonhosa por garotos ruivos de olhos verdes. Assim sendo, o fato de eu não ter dado a mínima para Edward Cullen é fato digno de preocupação para qualquer autor. Ainda mais com esse nome, um dos meus preferidos. (Tô falando que, se eu tivesse lido Crepúsculo há alguns anos...)
Na verdade, uma boa terapia não faria mal para os protagonistas do livro. Lembram que eu disse que Bella tinha um pouco de cada menina que pudesse ler o livro? Infelizmente, ela incorpora, e de forma alarmante, a obsessão que algumas têm pela presença do namorado. Bella não está apaixonada por Edward – ela está obcecada, de forma doentia. Tirando a perfeição (grrr...) física dele, e o fato de ele ter lá seus poderes, ela não dá mais nenhum motivo pelo qual gosta dele. Vez por outra, ela menciona que ele é gentil e atencioso, mas bem por alto. O negócio é ficar olhando pra ele, babando por ele, se derretendo quando ele olha para ela, quando sorri para ela. Mesmo levando em conta que ele tem o tal do “charme vampírico”, isso vai longe demais. E, depois que eles começam a andar juntos, a menina praticamente surta se Edward não fica com ela 24 horas por dia!
Já Edward, esse também tem sérios problemas. Acho que Bella está certa quando diz que ele tem múltiplas personalidades. É a única coisa que explica tantas mudanças de humor e tantas incoerências em tão curto espaço de tempo. Certo, eu entendi o que a Stephenie quis fazer com ele: mostrar que ele está balançado entre a vontade de estar com Bella e o medo de saltar no pescoço dela, se ficar perto demais. Perfeito. Nesse ponto, aliás, se encaixa muito bem o fato de ele estar sempre seguido a moça. Só que as atitudes dele simplesmente não fazem sentido! O mais verossímil, nessa situação, era ele não se dirigir a ela e adotar alguma linha de defesa – ou o silêncio, ou a permanente agressividade. Mesmo que se amaldiçoasse depois, por isso. Mas não, ele não pára de falar com ela. Faz a menina se derreter por ele (por falar nisso, como Bella disse, não dá pra acreditar que ele não saiba o efeito que causa nas pessoas), e depois diz “é melhor não sermos amigos”, “é melhor ficar longe de mim”... Seria melhor se a Stephenie se decidisse se queria um Edward complexado ou um Edward conquistador.
A coisa que achei mais no lugar, na personalidade do rapaz, é o fato de ele perguntar, de segundo em segundo, o que Bella está pensando. Afinal, ele estava acostumado a ler a mente de todos, e não saber o que a menina que ele gosta – justo ela – está pensando deve ser mesmo uma tortura. Isso, aliás, foi até um jeito legal de justificar o interesse dele por ela.
Outra coisa sobre Edward são todos os meses que ele passa visitando-a no quarto dela, sem rolar nada. (meses, porque li a série toda. :P) Aaaaah, qualé! Mais uma vez, a Stephanie não se decide que abordagem quer dar ao Edward, e acaba num meio termo sem bases. Se ele é tão complexado com a possibilidade de matar a Bella, o melhor era nem aparecer no quarto. Ele diz que sente desejo por ela – isso seria motivo suficiente para ou ele nem pôr os pés lá, ou mandar a precaução às favas logo de uma vez. :\ (Aliás, cá pra nós... Ficar vendo uma pessoa dormir a noite inteirinha pode ser divertido ou interessante? Por mais que ela fale no sono?!)
No fundo, Edward age como toda menina queria que o príncipe encantado agisse. Mas não sei se é possível existir alguém que aja exatamente assim. As pessoas são mais complexas que isso – mas não tão complexas a ponto de agir como Edward age.
A conclusão sobre os protagonistas é que eles não causam empatia em mim simplesmente por não terem individualidade. Bella é um amálgama de várias garotas (mais um transtorno obsessivo por Edward), e Edward é um misto de todas as expectativas que uma menina tem sobre o apaixonado ideal. Eles não são o que são, são o que querem que sejam. Isso tira muito da força deles, como personagens. Claro que eu concordo que Bella é mais um convite para que a menina se coloque no lugar da protagonista, e Edward, mais uma estátua para ser admirada (talvez por isso, Bella só goste da beleza dele, e mais nada), mas eu preferia que eles fossem mais gente.
Conclusão da leitura: a que eu esperava. Como eu disse lá no início, Crepúsculo é um livro para meninas. Só isso, mais nada. É um livro para as meninas se imaginarem, por um segundo, ao lado do namorado perfeito. Claro que é 100% escapista – nenhuma menina pode achar que, se agir como Bella, terá seu Edward. Na verdade, qualquer garoto de verdade se cansaria da obsessão da Bella, depois de algum tempo. Mas nada – nada – tira dele o mérito de mexer tanto com as fantasias de garotas adolescentes, a ponto de virar o fenômeno que virou.
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Complemento sobre os outros livros da série:
Bom, minha curiosidade é uma força da natureza forte demais pra ser ignorada, principalmente quando a chave para saciá-la está ao alcance. Eu tinha os quatro livros da série em mãos. Como poderia não lê-los?
Sim, Lua Nova é irritante. Mas tem uma parte boa, e essa parte é Jacob. Ele consegue, em Eclipse, o que faltava em Crepúsculo: dar uma individualidade a Bella e Edward. Eles finalmente descem de seus pedestais e viram gente, especialmente Edward. E a obsessão da Bella está muito mais controlada depois de Lua Nova. (Ufa!) Eclipse, o terceiro livro, é bem melhor que os outros dois e Breaking Dawn (o último lançado, sem tradução oficial) é melhor que Eclipse. :P
A Stephenie realmente evoluiu de livro para livro. Mas uma coisa, preciso frisar. Continua sendo um livro "de meninas" até o fim. Meu lado testosterona quer matar essa mulher por criar, em todos os livros, o maior climão de brigas homéricas e, em três dos quatro livros, fazer tudo acabar em pizza.
SPOILERS:
E, sim, depois de muito mimimi, os dois pombinhos finalmente vão pra cama. Depois do casamento, mas vão. E esse ato tem conseqüências, que é o que faz Breaking Dawn mais interessante que os outros. :D"
quarta-feira, 24 de março de 2010
Dando um twist no blog/Fuga de Rigel
Pessoal! Não tenho atualizado o blog do Conservatório simplesmente porque a história tem mudado mais rápido do que sou capaz de atualizar esse bicho. Só que fiquei pensando... Bem que dava pra eu dividir algumas coisas legais com vocês sobre livros, vampiros, paranormais & outros bichos. Sendo assim, vou ver se posto umas (mais ou menos) resenhas e uns making of da história. :D
Eu talvez devesse começar com minha resenha de Crepúsculo, mas tem uma que tou devendo há beeem mais tempo: a resenha de Fuga de Rigel, do Diogo de Souza. É um romance sobre paranormais, o que significa que Cristina deve ter algum interesse nele. :D
(É bom frisar que não sou boa crítica literária. Talvez fosse mais adequado dizer que isso é uma opinião minha. Leio por prazer, na maior parte do tempo, e é só.)
A história de como esse livro foi parar na minha mão é legal. Quando ele saiu, entrei no site e vi um preview de algumas páginas do livro. Fiquei curiosíssima e pensei: "Ei, eu quero esse livro!". Não é que, na mesma ocasião, houve um sorteio na comunidade Escritores de Fantasia, e eu ganhei o fulano, com dedicatória e tudo? Pois bem.
A história já começa eletrizante, com a fuga do garoto que dá nome ao título. A bem da verdade, em mais da metade do livro, o que Rigel mais faz é fugir, e tem umas escapadas muito bacanas. De todos os personagens, o que mais gostei foi o pai dele. Talvez porque seja o único "mundano" da história. =P
A trama do livro é ótima. Gostei muito, mesmo. Mas no final, fiquei com... sei lá, uma sensação que nunca consegui definir muito bem. Não é só pelo fato de que achei a cena final bem aquém do que poderia ser. Meio confusa, sei lá. É um algo além disso que não vi ninguém comentar, então, não soube comparar impressões para dar corpo a esse sentimento confuso.
No geral, porém, é um livro-pipoca bem legal, e tinha horas que até dava dor de cabeça de tanto eu querer chegar no fim, mas ter que parar por algum motivo. O site (http://www.fugaderigel.com.br/) complementa bem a leitura e tem a tabela dos atributos psíquicos dos personagens. Não posso negar que tenha me inspirado ao definir as paranormalidades d'O Conservatório.
Mais resenhas, tem no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/sobre/11542/resenhas:1
No próximo post, minha temida resenha de Crepúsculo. =D
Até lá! o/
Eu talvez devesse começar com minha resenha de Crepúsculo, mas tem uma que tou devendo há beeem mais tempo: a resenha de Fuga de Rigel, do Diogo de Souza. É um romance sobre paranormais, o que significa que Cristina deve ter algum interesse nele. :D
(É bom frisar que não sou boa crítica literária. Talvez fosse mais adequado dizer que isso é uma opinião minha. Leio por prazer, na maior parte do tempo, e é só.)
A história de como esse livro foi parar na minha mão é legal. Quando ele saiu, entrei no site e vi um preview de algumas páginas do livro. Fiquei curiosíssima e pensei: "Ei, eu quero esse livro!". Não é que, na mesma ocasião, houve um sorteio na comunidade Escritores de Fantasia, e eu ganhei o fulano, com dedicatória e tudo? Pois bem.
A história já começa eletrizante, com a fuga do garoto que dá nome ao título. A bem da verdade, em mais da metade do livro, o que Rigel mais faz é fugir, e tem umas escapadas muito bacanas. De todos os personagens, o que mais gostei foi o pai dele. Talvez porque seja o único "mundano" da história. =P
A trama do livro é ótima. Gostei muito, mesmo. Mas no final, fiquei com... sei lá, uma sensação que nunca consegui definir muito bem. Não é só pelo fato de que achei a cena final bem aquém do que poderia ser. Meio confusa, sei lá. É um algo além disso que não vi ninguém comentar, então, não soube comparar impressões para dar corpo a esse sentimento confuso.
No geral, porém, é um livro-pipoca bem legal, e tinha horas que até dava dor de cabeça de tanto eu querer chegar no fim, mas ter que parar por algum motivo. O site (http://www.fugaderigel.com.br/) complementa bem a leitura e tem a tabela dos atributos psíquicos dos personagens. Não posso negar que tenha me inspirado ao definir as paranormalidades d'O Conservatório.
Mais resenhas, tem no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/sobre/11542/resenhas:1
No próximo post, minha temida resenha de Crepúsculo. =D
Até lá! o/
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Personagens II
Weee! Não deu pra falar muito dos protagonistas e sua vida por ser spoiler, mas chegamos aos secundários. \o\ Hoje, estou a fim de falar dos secundários do Conservatório. Mais tarde, falo mais da família da Cristina.
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Annette Mercier
Idade: Não sabe ao certo, mas é mais de 600 - quase 700, segundo as más línguas.
Filiação: Jacques e Marie Mercier
Aparência: Senhora cinquentona enxuta, ainda bastante bonita. Possui um ar enérgico e um estilo bem diretora-de-escola. Usa um pincenê dourado por motivos sentimentais.
Biografia-resumo: Annette nasceu na França, filha de família camponesa. Teve um caso com um cigano de passagem por suas terras e engravidou dele. Na tentativa de salvar a honra da família, seus pais a colocaram num convento, onde foi-lhe induzido o aborto. Ela viveu como Irmã Marguerite por alguns anos, até que Jacques Dijean destruiu o convento e obrigou-a a ensiná-lo conhecimentos que só eram divulgados nos meios eclesiásticos, ocasião em que se tornou vampira. Muitos anos mais tarde, ela seria a parteira e posterior figura materna, por assim dizer, de Alexandre Van Allen. Seguiu-o fielmente desde então, e foi professora particular de pelo menos cinco de seus filhos, além de ter treinado pessoalmente todos eles no uso de seus poderes. Foi casada com Richard Edwards, tutor de Alexandre, até que ele morresse na Segunda Guerra de Bela Noite. Quando o Conservatório ficou pronto, em 1742, foi designada para dirigi-lo, por seu conhecimento de música aliado a uma habilidade capaz de manter possíveis invasores longe. Causou surpresa ao adotar uma criança transformada por seu próprio sangue, em 1996.
Annette Mercier é uma mulher firme, com fortes tendências maternais. É conhecida por seu treinamento quase brutal em alguns pontos, mas que todos os discípulos já abençoaram, mais cedo ou mais tarde. Sua exigência de disciplina e organização chegou ao ponto de causar-lhe um TOC de mania de limpeza aos 400 anos, o que acabou se tornando uma fraqueza importante: ela não consegue espiar alguém à distância sem arrumar o lugar telecineticamente. Embora esteja em tratamento, o TOC apenas abrandou, sem desparecer. Tem amor especial por Alexandre, entre todos os seus protegidos.
André Ayité Schwarz
Idade: 37 anos
Filiação: Ludwig Schwarz e Louise Ayité
Aparência: Herdou a pele negra da mãe e os olhos claros do pai. É sempre muito comportado nos gestos e no vestuário.
Biografia-resumo: André nasceu um mestiço, filho de pai vampiro e mãe humana, sendo que o pai era de uma família importante de Bela Noite e a mãe, descendente dos Leopardos Negros originais (grupo de quilombolas que se tornaram os primeiros humanos da cidade). Ambos faziam parte dos atuais Leopardos Negros, grupo de inteligência de Bela Noite, e morreram em serviço quando ele tinha cerca de nove anos. Desde então, foi criado por alguns tios humanos e treinado por Mme. Mercier. Na ocasião, eles também adotaram o jovem Geraldo Leite, que também era órfão recente, e eles acabaram por se tornar verdadeiros irmãos. Ainda na infância, deixou o status de mestiço ao fazer um laço de sangue com seu avô. Foi violoncelista na orquestra do Conservatório. Mais tarde, se mudou para o Conservatório para ficar mais próximo do portal para Bela Noite, onde fazia faculdade de Medicina. Por influência do gosto de Geraldo por crianças, especializou-se em Pediatria. Opôs-se ao casamento do "irmão" com Carmem, mas acabou ajudando muito a cuidar da "sobrinha" enquanto ela era bebê, se apegando muito a ela. Atualmente, tem seu próprio consultório infantil.
André sempre tende ao comportamento responsável, em todas as ocasiões. Apega-se às pessoas com quem convive e se envolve facilmente em relacionamentos platônicos, como sua paixonite por Rafaela, a ex-solista soprano do Conservatório. Há muita especulação sobre o porquê de ter se tornado um detetive da Polícia Dimensional, tendo um temperamento tão suave e pouco afeito a conflito.
Helena Lavert
Idade: 18 anos
Filiação: Auguste Lavert e Maria Aparecida "Cidinha" das Mercês Lavert
Aparência: Helena faz jus ao nome, sendo considerada estonteantemente bonita, mesmo por algumas mulheres menos ciumentas. Tem cabelos cacheados bem cuidados, lábios cheios, rosto e corpo bem proporcionados, e porte elegante ao andar.
Biografia-resumo: Ela é um dos gêmeos que Cidinha Lavert deu à luz, enquanto era humana. Ao contrário do irmão problemático, Augusto, Helena é quieta e parece ter herdado os pendores intelectuais e artísticos de seus pais. É excelente cantora, faz belíssimos bordados para roupas ou simples exposição e é uma estilista e decoradora de bom gosto. Diz-se que foi uma criança super-dotada, o que é difícil confirmar, já que costuma preferir o silêncio. Foi apaixonada por muito tempo por um amigo de infância, tão feio que não tinha coragem de se declarar a ela, até que se acertaram. Nesse meio tempo, teve um rolo rápido com Diego. Com os 18 anos, decidiu seguir carreira na Polícia, além de aceitar o sangue do pai, já que não via razões para continuar mestiça.
Helena é silenciosa e discreta, nunca deixando transparecer o que está pensando. Raramente sorri, mas pode fazê-lo quando menos se espera. Embora seja bela, inteligente e talentosa, tem muita dificuldade em se relacionar. Tem poucos amigos, e mesmo eles não sabem tudo sobre o que ela sente ou pensa.
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Annette Mercier
Idade: Não sabe ao certo, mas é mais de 600 - quase 700, segundo as más línguas.
Filiação: Jacques e Marie Mercier
Aparência: Senhora cinquentona enxuta, ainda bastante bonita. Possui um ar enérgico e um estilo bem diretora-de-escola. Usa um pincenê dourado por motivos sentimentais.
Biografia-resumo: Annette nasceu na França, filha de família camponesa. Teve um caso com um cigano de passagem por suas terras e engravidou dele. Na tentativa de salvar a honra da família, seus pais a colocaram num convento, onde foi-lhe induzido o aborto. Ela viveu como Irmã Marguerite por alguns anos, até que Jacques Dijean destruiu o convento e obrigou-a a ensiná-lo conhecimentos que só eram divulgados nos meios eclesiásticos, ocasião em que se tornou vampira. Muitos anos mais tarde, ela seria a parteira e posterior figura materna, por assim dizer, de Alexandre Van Allen. Seguiu-o fielmente desde então, e foi professora particular de pelo menos cinco de seus filhos, além de ter treinado pessoalmente todos eles no uso de seus poderes. Foi casada com Richard Edwards, tutor de Alexandre, até que ele morresse na Segunda Guerra de Bela Noite. Quando o Conservatório ficou pronto, em 1742, foi designada para dirigi-lo, por seu conhecimento de música aliado a uma habilidade capaz de manter possíveis invasores longe. Causou surpresa ao adotar uma criança transformada por seu próprio sangue, em 1996.
Annette Mercier é uma mulher firme, com fortes tendências maternais. É conhecida por seu treinamento quase brutal em alguns pontos, mas que todos os discípulos já abençoaram, mais cedo ou mais tarde. Sua exigência de disciplina e organização chegou ao ponto de causar-lhe um TOC de mania de limpeza aos 400 anos, o que acabou se tornando uma fraqueza importante: ela não consegue espiar alguém à distância sem arrumar o lugar telecineticamente. Embora esteja em tratamento, o TOC apenas abrandou, sem desparecer. Tem amor especial por Alexandre, entre todos os seus protegidos.
André Ayité Schwarz
Idade: 37 anos
Filiação: Ludwig Schwarz e Louise Ayité
Aparência: Herdou a pele negra da mãe e os olhos claros do pai. É sempre muito comportado nos gestos e no vestuário.
Biografia-resumo: André nasceu um mestiço, filho de pai vampiro e mãe humana, sendo que o pai era de uma família importante de Bela Noite e a mãe, descendente dos Leopardos Negros originais (grupo de quilombolas que se tornaram os primeiros humanos da cidade). Ambos faziam parte dos atuais Leopardos Negros, grupo de inteligência de Bela Noite, e morreram em serviço quando ele tinha cerca de nove anos. Desde então, foi criado por alguns tios humanos e treinado por Mme. Mercier. Na ocasião, eles também adotaram o jovem Geraldo Leite, que também era órfão recente, e eles acabaram por se tornar verdadeiros irmãos. Ainda na infância, deixou o status de mestiço ao fazer um laço de sangue com seu avô. Foi violoncelista na orquestra do Conservatório. Mais tarde, se mudou para o Conservatório para ficar mais próximo do portal para Bela Noite, onde fazia faculdade de Medicina. Por influência do gosto de Geraldo por crianças, especializou-se em Pediatria. Opôs-se ao casamento do "irmão" com Carmem, mas acabou ajudando muito a cuidar da "sobrinha" enquanto ela era bebê, se apegando muito a ela. Atualmente, tem seu próprio consultório infantil.
André sempre tende ao comportamento responsável, em todas as ocasiões. Apega-se às pessoas com quem convive e se envolve facilmente em relacionamentos platônicos, como sua paixonite por Rafaela, a ex-solista soprano do Conservatório. Há muita especulação sobre o porquê de ter se tornado um detetive da Polícia Dimensional, tendo um temperamento tão suave e pouco afeito a conflito.
Helena Lavert
Idade: 18 anos
Filiação: Auguste Lavert e Maria Aparecida "Cidinha" das Mercês Lavert
Aparência: Helena faz jus ao nome, sendo considerada estonteantemente bonita, mesmo por algumas mulheres menos ciumentas. Tem cabelos cacheados bem cuidados, lábios cheios, rosto e corpo bem proporcionados, e porte elegante ao andar.
Biografia-resumo: Ela é um dos gêmeos que Cidinha Lavert deu à luz, enquanto era humana. Ao contrário do irmão problemático, Augusto, Helena é quieta e parece ter herdado os pendores intelectuais e artísticos de seus pais. É excelente cantora, faz belíssimos bordados para roupas ou simples exposição e é uma estilista e decoradora de bom gosto. Diz-se que foi uma criança super-dotada, o que é difícil confirmar, já que costuma preferir o silêncio. Foi apaixonada por muito tempo por um amigo de infância, tão feio que não tinha coragem de se declarar a ela, até que se acertaram. Nesse meio tempo, teve um rolo rápido com Diego. Com os 18 anos, decidiu seguir carreira na Polícia, além de aceitar o sangue do pai, já que não via razões para continuar mestiça.
Helena é silenciosa e discreta, nunca deixando transparecer o que está pensando. Raramente sorri, mas pode fazê-lo quando menos se espera. Embora seja bela, inteligente e talentosa, tem muita dificuldade em se relacionar. Tem poucos amigos, e mesmo eles não sabem tudo sobre o que ela sente ou pensa.
domingo, 27 de setembro de 2009
Personagens I
Resolvi começar com fichas de personagens, ao invés de entrar direto na história e organização da Polícia. :D Só não esperem desenhinhos sempre. :P
Vamos começar com os protagonistas, claro. Mais pra frente, começo com os secundários mais importantes, como Mme. Mercier, André e João de Deus.
Cristina:
Idade: 16 anos
Filiação: Carmem e Geraldo Figueira da Costa
Aparência: Alta, abaixo do peso, cabelos pretos, ondulados e escorridos. Olhos grandes, da mesma cor. Palidez anêmica, olheiras, roupas masculinizadas.
Cristina é cética e mal-humorada por natureza. É independente e inteligente, e bastante teimosa. Tem grande afeição pelo pai já morto, e tem muita curiosidade a respeito da possibilidade dele não ser humano, embora não saiba até que ponto isso pode ser verdade. Tem visões e enxaquecas constantes.
Diego:
Idade: 16 anos
Filiação: ?
Aparência: Porte atlético, boa aparência, cabelos negros encaracolados, olhos castanhos. Bronzeado.
Diego é ligeiramente hiperativo, e não resiste a ser desafiado. Estuda no Conservatório há quase dez anos, e logo entra em escaramuças com Cristina. O temperamento "do contra" dela o estimula, e ele gosta de provocá-la. É esquentado e sempre diz a primeira coisa que vem à cabeça, o que quase sempre termina em problemas com o interlocutor.
Vamos começar com os protagonistas, claro. Mais pra frente, começo com os secundários mais importantes, como Mme. Mercier, André e João de Deus.
Cristina:
Idade: 16 anos
Filiação: Carmem e Geraldo Figueira da Costa
Aparência: Alta, abaixo do peso, cabelos pretos, ondulados e escorridos. Olhos grandes, da mesma cor. Palidez anêmica, olheiras, roupas masculinizadas.
Cristina é cética e mal-humorada por natureza. É independente e inteligente, e bastante teimosa. Tem grande afeição pelo pai já morto, e tem muita curiosidade a respeito da possibilidade dele não ser humano, embora não saiba até que ponto isso pode ser verdade. Tem visões e enxaquecas constantes.
Diego:
Idade: 16 anos
Filiação: ?
Aparência: Porte atlético, boa aparência, cabelos negros encaracolados, olhos castanhos. Bronzeado.
Diego é ligeiramente hiperativo, e não resiste a ser desafiado. Estuda no Conservatório há quase dez anos, e logo entra em escaramuças com Cristina. O temperamento "do contra" dela o estimula, e ele gosta de provocá-la. É esquentado e sempre diz a primeira coisa que vem à cabeça, o que quase sempre termina em problemas com o interlocutor.
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