Essa TINHA que entrar no blog, ara sô. XD Talvez um dia eu também tenha coragem de postar uma que fiz sobre o simbolismo bem-mal em Drácula. Talvez.
Essa resenha foi publicada na comunidade Escritores de Fantasia, em 14/01/2009
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Crepúsculo meio que surgiu como leitura obrigatória, para mim, principalmente pelo sucesso com as adolescentes e pré-adolescentes. Eu precisava ler, e ver até onde o livro tinha mérito por isso. Quer dizer, apesar de tudo, podia ser um livro bom. Muito restrito a seu público, mas bom. Fingi que era um artigo acadêmico e fui.
Para ser justa, preciso dizer que ele é nota 10 em termos de dizer exatamente o que uma garota no início da adolescência (e muitas ficam assim até a velhice... brr...) quer ouvir. Faça sentido, ou não. Quero dizer, meninas (a partir daqui, "meninas" vai significar qualquer mulher que aja como uma pré-adolescente, em qualquer idade) não ligam se não existem detalhes como ação, suspense, subtramas e essas coisas, desde que haja romance e fofocas. E isso, o livro tem.
Ouso dizer que, se tivesse lido Crepúsculo nos meus quinze anos, teria me envolvido bem mais com a trama. Assim como a protagonista, eu acabava de voltar para a geladeira da minha cidade natal depois de alguns anos numa cidade grande, e não estava particularmente animada.
O que me leva à conclusão interessante de que a personalidade e background de Bella parecem ter sido montados com todo o cuidado, para que a personagem tivesse empatia com o maior número possível de meninas. Quase toda adolescente/pré-adolescente pode ver alguma coisa sua nessa moça - ela parece ter sofrido todo tipo de experiência que se pode ter nessa idade.
Muitas pessoas reclamaram da falta de ação do livro, mas já expliquei isso... Ele é um livro para meninas. (Sem protestos sexistas aqui, pessoal.) Se algum rapaz gosta, é acidental. O público alvo nunca foram os homens e ponto. E posso imaginar minha irmã mais nova, de 16, devorando todas as páginas sem perder o interesse, ainda que a única briga da trama não tenha sido mostrada. (Raios! ) O fato de os vampiros brilharem ao Sol nem chega a ser um defeito (embora seja meio... ah, não consigo pensar em uma palavra que exprima isso): vocês estão carecas de saber o quanto mulheres gostam de coisas brilhantes. :D
OK, fui justa. Agora que soprei, peço licença de morder. =3
O defeito de Crepúsculo está em não ter elaborado melhor algumas coisas. Por exemplo, os diálogos entre Bella e Edward, no início da trama. Caramba! Dá pra perceber que a autora tentou criar algo misterioso, cheio de meias-respostas, e tal, pra criar um clima romântico. Pode funcionar com as meninas, mas não com um leitor mais experiente. Para mim, muitas vezes soavam como frases aleatórias, que dificilmente alguém diria numa conversa. Quando a autora, enfim, abandona a linha das meias-respostas, por parte de Edward, a coisa melhora um pouco. Mesmo assim, tem umas frases dele que, mesmo que você faça o desconto de ele ter seus 100 anos, pelo amor de Deus!
E, que fique claro, se a Bella usasse, só mais uma vez, a palavra “perfeição” para se referir a Edward, eu entraria no livro para dar um bofetão nela. Tá, toda menina cegamente apaixonada acha seu namorado perfeito. Mas tem maneiras menos acintosas de se colocar isso num livro. Mesmo num livro narrado em primeira pessoa pela adolescente em questão.
Falando nisso, acho que os personagens mais críveis na história toda são os colegas normais de Bella, e o pai da menina. Charlie é fofo. =3 Sabem, não sou muito exigente em termos de empatia com personagens. E tenho uma fraqueza vergonhosa por garotos ruivos de olhos verdes. Assim sendo, o fato de eu não ter dado a mínima para Edward Cullen é fato digno de preocupação para qualquer autor. Ainda mais com esse nome, um dos meus preferidos. (Tô falando que, se eu tivesse lido Crepúsculo há alguns anos...)
Na verdade, uma boa terapia não faria mal para os protagonistas do livro. Lembram que eu disse que Bella tinha um pouco de cada menina que pudesse ler o livro? Infelizmente, ela incorpora, e de forma alarmante, a obsessão que algumas têm pela presença do namorado. Bella não está apaixonada por Edward – ela está obcecada, de forma doentia. Tirando a perfeição (grrr...) física dele, e o fato de ele ter lá seus poderes, ela não dá mais nenhum motivo pelo qual gosta dele. Vez por outra, ela menciona que ele é gentil e atencioso, mas bem por alto. O negócio é ficar olhando pra ele, babando por ele, se derretendo quando ele olha para ela, quando sorri para ela. Mesmo levando em conta que ele tem o tal do “charme vampírico”, isso vai longe demais. E, depois que eles começam a andar juntos, a menina praticamente surta se Edward não fica com ela 24 horas por dia!
Já Edward, esse também tem sérios problemas. Acho que Bella está certa quando diz que ele tem múltiplas personalidades. É a única coisa que explica tantas mudanças de humor e tantas incoerências em tão curto espaço de tempo. Certo, eu entendi o que a Stephenie quis fazer com ele: mostrar que ele está balançado entre a vontade de estar com Bella e o medo de saltar no pescoço dela, se ficar perto demais. Perfeito. Nesse ponto, aliás, se encaixa muito bem o fato de ele estar sempre seguido a moça. Só que as atitudes dele simplesmente não fazem sentido! O mais verossímil, nessa situação, era ele não se dirigir a ela e adotar alguma linha de defesa – ou o silêncio, ou a permanente agressividade. Mesmo que se amaldiçoasse depois, por isso. Mas não, ele não pára de falar com ela. Faz a menina se derreter por ele (por falar nisso, como Bella disse, não dá pra acreditar que ele não saiba o efeito que causa nas pessoas), e depois diz “é melhor não sermos amigos”, “é melhor ficar longe de mim”... Seria melhor se a Stephenie se decidisse se queria um Edward complexado ou um Edward conquistador.
A coisa que achei mais no lugar, na personalidade do rapaz, é o fato de ele perguntar, de segundo em segundo, o que Bella está pensando. Afinal, ele estava acostumado a ler a mente de todos, e não saber o que a menina que ele gosta – justo ela – está pensando deve ser mesmo uma tortura. Isso, aliás, foi até um jeito legal de justificar o interesse dele por ela.
Outra coisa sobre Edward são todos os meses que ele passa visitando-a no quarto dela, sem rolar nada. (meses, porque li a série toda. :P) Aaaaah, qualé! Mais uma vez, a Stephanie não se decide que abordagem quer dar ao Edward, e acaba num meio termo sem bases. Se ele é tão complexado com a possibilidade de matar a Bella, o melhor era nem aparecer no quarto. Ele diz que sente desejo por ela – isso seria motivo suficiente para ou ele nem pôr os pés lá, ou mandar a precaução às favas logo de uma vez. :\ (Aliás, cá pra nós... Ficar vendo uma pessoa dormir a noite inteirinha pode ser divertido ou interessante? Por mais que ela fale no sono?!)
No fundo, Edward age como toda menina queria que o príncipe encantado agisse. Mas não sei se é possível existir alguém que aja exatamente assim. As pessoas são mais complexas que isso – mas não tão complexas a ponto de agir como Edward age.
A conclusão sobre os protagonistas é que eles não causam empatia em mim simplesmente por não terem individualidade. Bella é um amálgama de várias garotas (mais um transtorno obsessivo por Edward), e Edward é um misto de todas as expectativas que uma menina tem sobre o apaixonado ideal. Eles não são o que são, são o que querem que sejam. Isso tira muito da força deles, como personagens. Claro que eu concordo que Bella é mais um convite para que a menina se coloque no lugar da protagonista, e Edward, mais uma estátua para ser admirada (talvez por isso, Bella só goste da beleza dele, e mais nada), mas eu preferia que eles fossem mais gente.
Conclusão da leitura: a que eu esperava. Como eu disse lá no início, Crepúsculo é um livro para meninas. Só isso, mais nada. É um livro para as meninas se imaginarem, por um segundo, ao lado do namorado perfeito. Claro que é 100% escapista – nenhuma menina pode achar que, se agir como Bella, terá seu Edward. Na verdade, qualquer garoto de verdade se cansaria da obsessão da Bella, depois de algum tempo. Mas nada – nada – tira dele o mérito de mexer tanto com as fantasias de garotas adolescentes, a ponto de virar o fenômeno que virou.
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Complemento sobre os outros livros da série:
Bom, minha curiosidade é uma força da natureza forte demais pra ser ignorada, principalmente quando a chave para saciá-la está ao alcance. Eu tinha os quatro livros da série em mãos. Como poderia não lê-los?
Sim, Lua Nova é irritante. Mas tem uma parte boa, e essa parte é Jacob. Ele consegue, em Eclipse, o que faltava em Crepúsculo: dar uma individualidade a Bella e Edward. Eles finalmente descem de seus pedestais e viram gente, especialmente Edward. E a obsessão da Bella está muito mais controlada depois de Lua Nova. (Ufa!) Eclipse, o terceiro livro, é bem melhor que os outros dois e Breaking Dawn (o último lançado, sem tradução oficial) é melhor que Eclipse. :P
A Stephenie realmente evoluiu de livro para livro. Mas uma coisa, preciso frisar. Continua sendo um livro "de meninas" até o fim. Meu lado testosterona quer matar essa mulher por criar, em todos os livros, o maior climão de brigas homéricas e, em três dos quatro livros, fazer tudo acabar em pizza.
SPOILERS:
E, sim, depois de muito mimimi, os dois pombinhos finalmente vão pra cama. Depois do casamento, mas vão. E esse ato tem conseqüências, que é o que faz Breaking Dawn mais interessante que os outros. :D"
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Dando um twist no blog/Fuga de Rigel
Pessoal! Não tenho atualizado o blog do Conservatório simplesmente porque a história tem mudado mais rápido do que sou capaz de atualizar esse bicho. Só que fiquei pensando... Bem que dava pra eu dividir algumas coisas legais com vocês sobre livros, vampiros, paranormais & outros bichos. Sendo assim, vou ver se posto umas (mais ou menos) resenhas e uns making of da história. :D
Eu talvez devesse começar com minha resenha de Crepúsculo, mas tem uma que tou devendo há beeem mais tempo: a resenha de Fuga de Rigel, do Diogo de Souza. É um romance sobre paranormais, o que significa que Cristina deve ter algum interesse nele. :D
(É bom frisar que não sou boa crítica literária. Talvez fosse mais adequado dizer que isso é uma opinião minha. Leio por prazer, na maior parte do tempo, e é só.)
A história de como esse livro foi parar na minha mão é legal. Quando ele saiu, entrei no site e vi um preview de algumas páginas do livro. Fiquei curiosíssima e pensei: "Ei, eu quero esse livro!". Não é que, na mesma ocasião, houve um sorteio na comunidade Escritores de Fantasia, e eu ganhei o fulano, com dedicatória e tudo? Pois bem.
A história já começa eletrizante, com a fuga do garoto que dá nome ao título. A bem da verdade, em mais da metade do livro, o que Rigel mais faz é fugir, e tem umas escapadas muito bacanas. De todos os personagens, o que mais gostei foi o pai dele. Talvez porque seja o único "mundano" da história. =P
A trama do livro é ótima. Gostei muito, mesmo. Mas no final, fiquei com... sei lá, uma sensação que nunca consegui definir muito bem. Não é só pelo fato de que achei a cena final bem aquém do que poderia ser. Meio confusa, sei lá. É um algo além disso que não vi ninguém comentar, então, não soube comparar impressões para dar corpo a esse sentimento confuso.
No geral, porém, é um livro-pipoca bem legal, e tinha horas que até dava dor de cabeça de tanto eu querer chegar no fim, mas ter que parar por algum motivo. O site (http://www.fugaderigel.com.br/) complementa bem a leitura e tem a tabela dos atributos psíquicos dos personagens. Não posso negar que tenha me inspirado ao definir as paranormalidades d'O Conservatório.
Mais resenhas, tem no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/sobre/11542/resenhas:1
No próximo post, minha temida resenha de Crepúsculo. =D
Até lá! o/
Eu talvez devesse começar com minha resenha de Crepúsculo, mas tem uma que tou devendo há beeem mais tempo: a resenha de Fuga de Rigel, do Diogo de Souza. É um romance sobre paranormais, o que significa que Cristina deve ter algum interesse nele. :D
(É bom frisar que não sou boa crítica literária. Talvez fosse mais adequado dizer que isso é uma opinião minha. Leio por prazer, na maior parte do tempo, e é só.)
A história de como esse livro foi parar na minha mão é legal. Quando ele saiu, entrei no site e vi um preview de algumas páginas do livro. Fiquei curiosíssima e pensei: "Ei, eu quero esse livro!". Não é que, na mesma ocasião, houve um sorteio na comunidade Escritores de Fantasia, e eu ganhei o fulano, com dedicatória e tudo? Pois bem.
A história já começa eletrizante, com a fuga do garoto que dá nome ao título. A bem da verdade, em mais da metade do livro, o que Rigel mais faz é fugir, e tem umas escapadas muito bacanas. De todos os personagens, o que mais gostei foi o pai dele. Talvez porque seja o único "mundano" da história. =P
A trama do livro é ótima. Gostei muito, mesmo. Mas no final, fiquei com... sei lá, uma sensação que nunca consegui definir muito bem. Não é só pelo fato de que achei a cena final bem aquém do que poderia ser. Meio confusa, sei lá. É um algo além disso que não vi ninguém comentar, então, não soube comparar impressões para dar corpo a esse sentimento confuso.
No geral, porém, é um livro-pipoca bem legal, e tinha horas que até dava dor de cabeça de tanto eu querer chegar no fim, mas ter que parar por algum motivo. O site (http://www.fugaderigel.com.br/) complementa bem a leitura e tem a tabela dos atributos psíquicos dos personagens. Não posso negar que tenha me inspirado ao definir as paranormalidades d'O Conservatório.
Mais resenhas, tem no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/sobre/11542/resenhas:1
No próximo post, minha temida resenha de Crepúsculo. =D
Até lá! o/
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Personagens II
Weee! Não deu pra falar muito dos protagonistas e sua vida por ser spoiler, mas chegamos aos secundários. \o\ Hoje, estou a fim de falar dos secundários do Conservatório. Mais tarde, falo mais da família da Cristina.
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Annette Mercier
Idade: Não sabe ao certo, mas é mais de 600 - quase 700, segundo as más línguas.
Filiação: Jacques e Marie Mercier
Aparência: Senhora cinquentona enxuta, ainda bastante bonita. Possui um ar enérgico e um estilo bem diretora-de-escola. Usa um pincenê dourado por motivos sentimentais.
Biografia-resumo: Annette nasceu na França, filha de família camponesa. Teve um caso com um cigano de passagem por suas terras e engravidou dele. Na tentativa de salvar a honra da família, seus pais a colocaram num convento, onde foi-lhe induzido o aborto. Ela viveu como Irmã Marguerite por alguns anos, até que Jacques Dijean destruiu o convento e obrigou-a a ensiná-lo conhecimentos que só eram divulgados nos meios eclesiásticos, ocasião em que se tornou vampira. Muitos anos mais tarde, ela seria a parteira e posterior figura materna, por assim dizer, de Alexandre Van Allen. Seguiu-o fielmente desde então, e foi professora particular de pelo menos cinco de seus filhos, além de ter treinado pessoalmente todos eles no uso de seus poderes. Foi casada com Richard Edwards, tutor de Alexandre, até que ele morresse na Segunda Guerra de Bela Noite. Quando o Conservatório ficou pronto, em 1742, foi designada para dirigi-lo, por seu conhecimento de música aliado a uma habilidade capaz de manter possíveis invasores longe. Causou surpresa ao adotar uma criança transformada por seu próprio sangue, em 1996.
Annette Mercier é uma mulher firme, com fortes tendências maternais. É conhecida por seu treinamento quase brutal em alguns pontos, mas que todos os discípulos já abençoaram, mais cedo ou mais tarde. Sua exigência de disciplina e organização chegou ao ponto de causar-lhe um TOC de mania de limpeza aos 400 anos, o que acabou se tornando uma fraqueza importante: ela não consegue espiar alguém à distância sem arrumar o lugar telecineticamente. Embora esteja em tratamento, o TOC apenas abrandou, sem desparecer. Tem amor especial por Alexandre, entre todos os seus protegidos.
André Ayité Schwarz
Idade: 37 anos
Filiação: Ludwig Schwarz e Louise Ayité
Aparência: Herdou a pele negra da mãe e os olhos claros do pai. É sempre muito comportado nos gestos e no vestuário.
Biografia-resumo: André nasceu um mestiço, filho de pai vampiro e mãe humana, sendo que o pai era de uma família importante de Bela Noite e a mãe, descendente dos Leopardos Negros originais (grupo de quilombolas que se tornaram os primeiros humanos da cidade). Ambos faziam parte dos atuais Leopardos Negros, grupo de inteligência de Bela Noite, e morreram em serviço quando ele tinha cerca de nove anos. Desde então, foi criado por alguns tios humanos e treinado por Mme. Mercier. Na ocasião, eles também adotaram o jovem Geraldo Leite, que também era órfão recente, e eles acabaram por se tornar verdadeiros irmãos. Ainda na infância, deixou o status de mestiço ao fazer um laço de sangue com seu avô. Foi violoncelista na orquestra do Conservatório. Mais tarde, se mudou para o Conservatório para ficar mais próximo do portal para Bela Noite, onde fazia faculdade de Medicina. Por influência do gosto de Geraldo por crianças, especializou-se em Pediatria. Opôs-se ao casamento do "irmão" com Carmem, mas acabou ajudando muito a cuidar da "sobrinha" enquanto ela era bebê, se apegando muito a ela. Atualmente, tem seu próprio consultório infantil.
André sempre tende ao comportamento responsável, em todas as ocasiões. Apega-se às pessoas com quem convive e se envolve facilmente em relacionamentos platônicos, como sua paixonite por Rafaela, a ex-solista soprano do Conservatório. Há muita especulação sobre o porquê de ter se tornado um detetive da Polícia Dimensional, tendo um temperamento tão suave e pouco afeito a conflito.
Helena Lavert
Idade: 18 anos
Filiação: Auguste Lavert e Maria Aparecida "Cidinha" das Mercês Lavert
Aparência: Helena faz jus ao nome, sendo considerada estonteantemente bonita, mesmo por algumas mulheres menos ciumentas. Tem cabelos cacheados bem cuidados, lábios cheios, rosto e corpo bem proporcionados, e porte elegante ao andar.
Biografia-resumo: Ela é um dos gêmeos que Cidinha Lavert deu à luz, enquanto era humana. Ao contrário do irmão problemático, Augusto, Helena é quieta e parece ter herdado os pendores intelectuais e artísticos de seus pais. É excelente cantora, faz belíssimos bordados para roupas ou simples exposição e é uma estilista e decoradora de bom gosto. Diz-se que foi uma criança super-dotada, o que é difícil confirmar, já que costuma preferir o silêncio. Foi apaixonada por muito tempo por um amigo de infância, tão feio que não tinha coragem de se declarar a ela, até que se acertaram. Nesse meio tempo, teve um rolo rápido com Diego. Com os 18 anos, decidiu seguir carreira na Polícia, além de aceitar o sangue do pai, já que não via razões para continuar mestiça.
Helena é silenciosa e discreta, nunca deixando transparecer o que está pensando. Raramente sorri, mas pode fazê-lo quando menos se espera. Embora seja bela, inteligente e talentosa, tem muita dificuldade em se relacionar. Tem poucos amigos, e mesmo eles não sabem tudo sobre o que ela sente ou pensa.
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Annette Mercier
Idade: Não sabe ao certo, mas é mais de 600 - quase 700, segundo as más línguas.
Filiação: Jacques e Marie Mercier
Aparência: Senhora cinquentona enxuta, ainda bastante bonita. Possui um ar enérgico e um estilo bem diretora-de-escola. Usa um pincenê dourado por motivos sentimentais.
Biografia-resumo: Annette nasceu na França, filha de família camponesa. Teve um caso com um cigano de passagem por suas terras e engravidou dele. Na tentativa de salvar a honra da família, seus pais a colocaram num convento, onde foi-lhe induzido o aborto. Ela viveu como Irmã Marguerite por alguns anos, até que Jacques Dijean destruiu o convento e obrigou-a a ensiná-lo conhecimentos que só eram divulgados nos meios eclesiásticos, ocasião em que se tornou vampira. Muitos anos mais tarde, ela seria a parteira e posterior figura materna, por assim dizer, de Alexandre Van Allen. Seguiu-o fielmente desde então, e foi professora particular de pelo menos cinco de seus filhos, além de ter treinado pessoalmente todos eles no uso de seus poderes. Foi casada com Richard Edwards, tutor de Alexandre, até que ele morresse na Segunda Guerra de Bela Noite. Quando o Conservatório ficou pronto, em 1742, foi designada para dirigi-lo, por seu conhecimento de música aliado a uma habilidade capaz de manter possíveis invasores longe. Causou surpresa ao adotar uma criança transformada por seu próprio sangue, em 1996.
Annette Mercier é uma mulher firme, com fortes tendências maternais. É conhecida por seu treinamento quase brutal em alguns pontos, mas que todos os discípulos já abençoaram, mais cedo ou mais tarde. Sua exigência de disciplina e organização chegou ao ponto de causar-lhe um TOC de mania de limpeza aos 400 anos, o que acabou se tornando uma fraqueza importante: ela não consegue espiar alguém à distância sem arrumar o lugar telecineticamente. Embora esteja em tratamento, o TOC apenas abrandou, sem desparecer. Tem amor especial por Alexandre, entre todos os seus protegidos.
André Ayité Schwarz
Idade: 37 anos
Filiação: Ludwig Schwarz e Louise Ayité
Aparência: Herdou a pele negra da mãe e os olhos claros do pai. É sempre muito comportado nos gestos e no vestuário.
Biografia-resumo: André nasceu um mestiço, filho de pai vampiro e mãe humana, sendo que o pai era de uma família importante de Bela Noite e a mãe, descendente dos Leopardos Negros originais (grupo de quilombolas que se tornaram os primeiros humanos da cidade). Ambos faziam parte dos atuais Leopardos Negros, grupo de inteligência de Bela Noite, e morreram em serviço quando ele tinha cerca de nove anos. Desde então, foi criado por alguns tios humanos e treinado por Mme. Mercier. Na ocasião, eles também adotaram o jovem Geraldo Leite, que também era órfão recente, e eles acabaram por se tornar verdadeiros irmãos. Ainda na infância, deixou o status de mestiço ao fazer um laço de sangue com seu avô. Foi violoncelista na orquestra do Conservatório. Mais tarde, se mudou para o Conservatório para ficar mais próximo do portal para Bela Noite, onde fazia faculdade de Medicina. Por influência do gosto de Geraldo por crianças, especializou-se em Pediatria. Opôs-se ao casamento do "irmão" com Carmem, mas acabou ajudando muito a cuidar da "sobrinha" enquanto ela era bebê, se apegando muito a ela. Atualmente, tem seu próprio consultório infantil.
André sempre tende ao comportamento responsável, em todas as ocasiões. Apega-se às pessoas com quem convive e se envolve facilmente em relacionamentos platônicos, como sua paixonite por Rafaela, a ex-solista soprano do Conservatório. Há muita especulação sobre o porquê de ter se tornado um detetive da Polícia Dimensional, tendo um temperamento tão suave e pouco afeito a conflito.
Helena Lavert
Idade: 18 anos
Filiação: Auguste Lavert e Maria Aparecida "Cidinha" das Mercês Lavert
Aparência: Helena faz jus ao nome, sendo considerada estonteantemente bonita, mesmo por algumas mulheres menos ciumentas. Tem cabelos cacheados bem cuidados, lábios cheios, rosto e corpo bem proporcionados, e porte elegante ao andar.
Biografia-resumo: Ela é um dos gêmeos que Cidinha Lavert deu à luz, enquanto era humana. Ao contrário do irmão problemático, Augusto, Helena é quieta e parece ter herdado os pendores intelectuais e artísticos de seus pais. É excelente cantora, faz belíssimos bordados para roupas ou simples exposição e é uma estilista e decoradora de bom gosto. Diz-se que foi uma criança super-dotada, o que é difícil confirmar, já que costuma preferir o silêncio. Foi apaixonada por muito tempo por um amigo de infância, tão feio que não tinha coragem de se declarar a ela, até que se acertaram. Nesse meio tempo, teve um rolo rápido com Diego. Com os 18 anos, decidiu seguir carreira na Polícia, além de aceitar o sangue do pai, já que não via razões para continuar mestiça.
Helena é silenciosa e discreta, nunca deixando transparecer o que está pensando. Raramente sorri, mas pode fazê-lo quando menos se espera. Embora seja bela, inteligente e talentosa, tem muita dificuldade em se relacionar. Tem poucos amigos, e mesmo eles não sabem tudo sobre o que ela sente ou pensa.
domingo, 27 de setembro de 2009
Personagens I
Resolvi começar com fichas de personagens, ao invés de entrar direto na história e organização da Polícia. :D Só não esperem desenhinhos sempre. :P
Vamos começar com os protagonistas, claro. Mais pra frente, começo com os secundários mais importantes, como Mme. Mercier, André e João de Deus.
Cristina:
Idade: 16 anos
Filiação: Carmem e Geraldo Figueira da Costa
Aparência: Alta, abaixo do peso, cabelos pretos, ondulados e escorridos. Olhos grandes, da mesma cor. Palidez anêmica, olheiras, roupas masculinizadas.
Cristina é cética e mal-humorada por natureza. É independente e inteligente, e bastante teimosa. Tem grande afeição pelo pai já morto, e tem muita curiosidade a respeito da possibilidade dele não ser humano, embora não saiba até que ponto isso pode ser verdade. Tem visões e enxaquecas constantes.
Diego:
Idade: 16 anos
Filiação: ?
Aparência: Porte atlético, boa aparência, cabelos negros encaracolados, olhos castanhos. Bronzeado.
Diego é ligeiramente hiperativo, e não resiste a ser desafiado. Estuda no Conservatório há quase dez anos, e logo entra em escaramuças com Cristina. O temperamento "do contra" dela o estimula, e ele gosta de provocá-la. É esquentado e sempre diz a primeira coisa que vem à cabeça, o que quase sempre termina em problemas com o interlocutor.
Vamos começar com os protagonistas, claro. Mais pra frente, começo com os secundários mais importantes, como Mme. Mercier, André e João de Deus.
Cristina:
Idade: 16 anos
Filiação: Carmem e Geraldo Figueira da Costa
Aparência: Alta, abaixo do peso, cabelos pretos, ondulados e escorridos. Olhos grandes, da mesma cor. Palidez anêmica, olheiras, roupas masculinizadas.
Cristina é cética e mal-humorada por natureza. É independente e inteligente, e bastante teimosa. Tem grande afeição pelo pai já morto, e tem muita curiosidade a respeito da possibilidade dele não ser humano, embora não saiba até que ponto isso pode ser verdade. Tem visões e enxaquecas constantes.
Diego:
Idade: 16 anos
Filiação: ?
Aparência: Porte atlético, boa aparência, cabelos negros encaracolados, olhos castanhos. Bronzeado.
Diego é ligeiramente hiperativo, e não resiste a ser desafiado. Estuda no Conservatório há quase dez anos, e logo entra em escaramuças com Cristina. O temperamento "do contra" dela o estimula, e ele gosta de provocá-la. É esquentado e sempre diz a primeira coisa que vem à cabeça, o que quase sempre termina em problemas com o interlocutor.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Programa
Outra coisa importante é colocar o Programa da história. (O índice. Duh.) Às vezes, eu esqueço só pus aqui a sinopse e o prólogo. :P
O Programa provavelmente vai ser uma das partes mais revisadas e atualizadas. Basicamente, cada capítulo é um movimento, e cada movimento recebeu o nome de uma música clássica. Até o momento, os que estão definidos são:
- Chopin – Prelúdio (ainda não escolhi qual)
O prelúdio, vocês já leram. =3
- Beethoven – Piano Sonata nº 8, Op. 13, Adagio
Achei que a Patética era ótima para apresentar a vida adolescente da Cristina, as poias da sala dela, desilusões amorosas e essas coisas menores. :D
- Vivaldi - Concerto para flauta em G menor, Op. 10, No. 2, Largo
Il sonno foi escolhida por que esse é um capítulo inteiro sobre uma enxaqueca, sonhos e lembranças. É aqui que somos apresentados ao pai de Cristina e ao "tio" André, o vampiro que apagou a memória dela.
- Paganini - Concerto para violino No. 2 em B menor, Op. 7, Rondo
La campanella é óbvia: a campainha que Cristina toca para acordar Diego, o rapaz que está vendendo ingressos para um concerto no Conservatório, no dia seguinte. Nesse capítulo, ela descobre que o João de Deus, seu correspondente, realmente sumiu.
- Beethoven – Sinfonia no. 5 em C menor, Op. 67, Allegro con brio
Destino. Várias coisas acontecem na noite do concerto, que faz por merecer seu nome. Cristina passa mal e Diego acode. Para o azar da garota, os dois acabam misturando os destinos, mais pro fim do capítulo.
Já estou no movimento 8, mas não tenho nome a partir do 5 ainda. Qualquer hora falo deles. :D
O Programa provavelmente vai ser uma das partes mais revisadas e atualizadas. Basicamente, cada capítulo é um movimento, e cada movimento recebeu o nome de uma música clássica. Até o momento, os que estão definidos são:
- Chopin – Prelúdio (ainda não escolhi qual)
O prelúdio, vocês já leram. =3
- Beethoven – Piano Sonata nº 8, Op. 13, Adagio
Achei que a Patética era ótima para apresentar a vida adolescente da Cristina, as poias da sala dela, desilusões amorosas e essas coisas menores. :D
- Vivaldi - Concerto para flauta em G menor, Op. 10, No. 2, Largo
Il sonno foi escolhida por que esse é um capítulo inteiro sobre uma enxaqueca, sonhos e lembranças. É aqui que somos apresentados ao pai de Cristina e ao "tio" André, o vampiro que apagou a memória dela.
- Paganini - Concerto para violino No. 2 em B menor, Op. 7, Rondo
La campanella é óbvia: a campainha que Cristina toca para acordar Diego, o rapaz que está vendendo ingressos para um concerto no Conservatório, no dia seguinte. Nesse capítulo, ela descobre que o João de Deus, seu correspondente, realmente sumiu.
- Beethoven – Sinfonia no. 5 em C menor, Op. 67, Allegro con brio
Destino. Várias coisas acontecem na noite do concerto, que faz por merecer seu nome. Cristina passa mal e Diego acode. Para o azar da garota, os dois acabam misturando os destinos, mais pro fim do capítulo.
Já estou no movimento 8, mas não tenho nome a partir do 5 ainda. Qualquer hora falo deles. :D
É estranho escrever sobre momentos felizes de gente morta
#prontofalei
Nem tanto é pelo fato de estarem mortos. Quer dizer, eu sou espírita. Vida após a morte e talz. O negócio é que, quando eles morrem tragicamente e os vivos estão sofrendo, é druris escrever sobre os momentos felizes do passado.
No momento, estou escrevendo entrevistas que falam do passado que o pai, a mãe e o "tio" de Cristina dividem. (Eles são mencionados no movimento 1 ou 2.) Essas estrevistas vão ficar entre os movimentos 8 e 9, ou talvez espalhadas como intermezzos. Não me decidi pelo melhor formato ainda.
Para o próximo post, tou pensando em escrever sobre a Polícia Dimensional. Fundação, história, expansão, hierarquia... Vamos ver se animo. :D
Deixa eu voltar aos "2 solteirões e um bebê". :\
Nem tanto é pelo fato de estarem mortos. Quer dizer, eu sou espírita. Vida após a morte e talz. O negócio é que, quando eles morrem tragicamente e os vivos estão sofrendo, é druris escrever sobre os momentos felizes do passado.
No momento, estou escrevendo entrevistas que falam do passado que o pai, a mãe e o "tio" de Cristina dividem. (Eles são mencionados no movimento 1 ou 2.) Essas estrevistas vão ficar entre os movimentos 8 e 9, ou talvez espalhadas como intermezzos. Não me decidi pelo melhor formato ainda.
Para o próximo post, tou pensando em escrever sobre a Polícia Dimensional. Fundação, história, expansão, hierarquia... Vamos ver se animo. :D
Deixa eu voltar aos "2 solteirões e um bebê". :\
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Prelúdio
Querem ler o prelúdio da versão 3? Não? Bah, como se eu ligasse. XD
ATENÇÃO, ESSE PRELÚDIO PODE - E VAI - SOFRER ALTERAÇÕES ATÉ O FIM DA ESCRITA.
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AE Polícia Dimensional [V.56214]
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comando>_
comando>login
informe matricula>BRMG02002003
informe senha>*******
*iniciando sequência de acesso...
Você é: SOL MAIOR – ESTAGIARIO SENIOR – DAV – REGIONAL CONSERVATORIO
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comando>bdrelat
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*fechando seqüência de acesso...
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[Protocolo de acesso do documento: 25651723541A25J00
Acesso feito por: Sol Maior – Regimento 2 – Código 003 – Detetive nível 1
Descrição do documento: Transcrição de fita cassete do diário de C. V. L., seis anos.
OBS: Identificações pessoais removidas na impressão e reprodução, de acordo com a diretriz 1.3.7b do código de sigilo do D.A.V.]
28 de agosto.
Aconteceu de novo. Ontem à noite.
Eu devia saber que ia acontecer, porque a Lua não tava amarela, ela tava vermelha. Me dá um pouco de medo, quando ela fica dessa cor.
Eu tava treinando a Musette. Já tô tocando mais rápido que anteontem. Será que vai demorar até eu tocar bem rápido?
Mas então. Eu tava tocando a Musette. Aí, assim, de repente, eu vi um clarão vermelho no meu mindinho. Fingi que não tinha visto nada e continuei tocando, mas eu tava tremendo. Aí, minha mão toda ficou vermelha. Todinha! Eu sentia que não tava molhada, mas quando olhava, parecia que tava encharcada de sangue!
Aí, eu virei a cara, porque não queria ficar vendo aquilo. Só que na parede da sala tinha outra mancha. Uma mancha enorme, parecendo uma explosão.
Aquilo, pra mim, chegava! Decidi que ia pra sala de televisão ficar com a mãe. Ela ia me xingar, mas pelo menos, eu não ia ficar sozinha. Só que quando eu já tava na porta, não deu pra continuar. Tinha um menino ali, sabe? Um menininho do meu tamanho.
Quer dizer, não era bem um menino. Ele era transparente, que nem aquele sangue. E tava olhando pra mancha e chorando. Dava até pra ouvir! A mão dele tava vermelha do mesmo jeito que a minha. O engraçado foi que minha mão tava normal, quando olhei pra ela de novo.
Até que ver o menininho não me deu muito medo. Eu já tinha visto essas coisas transparentes, lembra? Tá gravado no início da fita. O que me deu medo, mesmo, foi que ele olhou de repente pra mim. Eu sei que foi pra mim! Ele andou pro meu lado! Aí, eu comecei a achar que ele não era gente transparente, era um fantasma.
Eu ia correr dali. Ia mesmo! Só que quando ele viu que eu ia embora, ele gritou e escondeu a cara na mão. E ficava dizendo “Eles morreram, eles morreram! Não me deixa sozinho, eles morreram!” Aí, eu não sabia que que eu fazia, porque não queria ficar ali com um fantasma sujo de sangue, mas tinha medo de ir embora, ele ficar com raiva, e voltar pra puxar o meu pé!
No fim, eu decidi sentar de novo no piano e começar a tocar aquela música que eu inventei. Aquela que eu gravei domingo. Aí, comecei a cantar umas coisas pra ver se o menino parava de chorar. Foi meio difícil, porque minha dor de cabeça começou a piorar. Ah, eu ainda lembro uma parte assim, ó: “Não tenha medo/ Pois vai clarear/ Estou contigo/ Não tem que chorar”. Cantei até parar de ouvir o choro dele. Mas aí, a minha cabeça já tava doendo tanto, mas tanto, que acabei vomitando, e devo ter desmaiado. De manhã, acordei aqui na cama.
Já escureceu e o fantasma não voltou. Acho que ele ficou feliz de eu não ter deixado ele... uh... deixado-o... sozinho, e não voltou para me assombrar.
Um fantasma que eu queria ver era o do meu pai. Tô com tanta saudade!
Mas eu já falei demais hoje, e não aconteceu mais nada de importante. Boa noite!
Como vai a gatinha? Espero que bem. Continuo impressionado com sua inteligência. Sim, você estava certa em todas as suposições. Madame Mercier talvez tenha sido imprudente, mas o fato é que pouquíssimas pessoas observam que ela não mudou muito nos últimos duzentos anos. As pessoas dizem que é impossível, então, preferem acreditar em tudo, menos na verdade que salta aos olhos.
Quanto aquela lista. Acha que fiz mal em publicar? Mas as pessoas tem o direito de saber, não tem? Quero dizer, se seu vizinho é um vampiro, ou uma mula-sem-cabeça, você, no mínimo, tem o direito de se defender, certo? Além disso...
Depois de você ter me contado sobre ele, na última carta, tenho tentado descobrir mais sobre seu pai. Só o que pude apurar é que ele freqüentava o turno da madrugada do conservatório. Mantenho o que tinha dito antes: não há humanos normais nesse turno. Não sei o que ele era, mas você deveria se preparar para qualquer dia desses... Hã... Acontecer qualquer coisa com você. Se bem que você pode não herdar nada. Ou a herança pode nunca se manifestar. Mas não se assuste, o que não mata, fortalece.
Também não tenho pistas sobre o motivo da morte dele. Sei que tudo deve estar lá, nos arquivos da Madame Mercier, mas eles estão todos digitais, agora. E estão num formato incompatível com nossos sistemas operacionais. Já tentei invadir de todas as formas, sem sucesso. Acho que só funciona se usar um dos computadores lá de dentro.
Mas pra que pensarmos nessas coisas desagradáveis? Os dias tem andando bonitos ultimamente. Já tem muito tempo que nos correspondemos e moramos na mesma cidade. Não acha que seria um momento ótimo para um passeio na pracinha da prefeitura? Sem ser nesse fim de semana, no outro, o que acha? Sábado à tarde, talvez? Responda marcando o dia e a hora.
Já contei que estou aprendendo a fazer batatas gratinadas? Se bem que no momento ainda estão mais pra batatas queimadas.
Eu queria escrever mais, mas não tenho tempo. Vou continuar a investigação, e preciso trabalhar, também. Conselho de amigo: não compre um computador antes de fazer um curso básico de informática. Cada ocorrência que me aparece!
Espero sua resposta.
Um abraço.
ATENÇÃO, ESSE PRELÚDIO PODE - E VAI - SOFRER ALTERAÇÕES ATÉ O FIM DA ESCRITA.
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Prelúdio
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AE Polícia Dimensional [V.56214]
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Você é: SOL MAIOR – ESTAGIARIO SENIOR – DAV – REGIONAL CONSERVATORIO
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OBS: Identificações pessoais removidas na impressão e reprodução, de acordo com a diretriz 1.3.7b do código de sigilo do D.A.V.]
28 de agosto.
Aconteceu de novo. Ontem à noite.
Eu devia saber que ia acontecer, porque a Lua não tava amarela, ela tava vermelha. Me dá um pouco de medo, quando ela fica dessa cor.
Eu tava treinando a Musette. Já tô tocando mais rápido que anteontem. Será que vai demorar até eu tocar bem rápido?
Mas então. Eu tava tocando a Musette. Aí, assim, de repente, eu vi um clarão vermelho no meu mindinho. Fingi que não tinha visto nada e continuei tocando, mas eu tava tremendo. Aí, minha mão toda ficou vermelha. Todinha! Eu sentia que não tava molhada, mas quando olhava, parecia que tava encharcada de sangue!
Aí, eu virei a cara, porque não queria ficar vendo aquilo. Só que na parede da sala tinha outra mancha. Uma mancha enorme, parecendo uma explosão.
Aquilo, pra mim, chegava! Decidi que ia pra sala de televisão ficar com a mãe. Ela ia me xingar, mas pelo menos, eu não ia ficar sozinha. Só que quando eu já tava na porta, não deu pra continuar. Tinha um menino ali, sabe? Um menininho do meu tamanho.
Quer dizer, não era bem um menino. Ele era transparente, que nem aquele sangue. E tava olhando pra mancha e chorando. Dava até pra ouvir! A mão dele tava vermelha do mesmo jeito que a minha. O engraçado foi que minha mão tava normal, quando olhei pra ela de novo.
Até que ver o menininho não me deu muito medo. Eu já tinha visto essas coisas transparentes, lembra? Tá gravado no início da fita. O que me deu medo, mesmo, foi que ele olhou de repente pra mim. Eu sei que foi pra mim! Ele andou pro meu lado! Aí, eu comecei a achar que ele não era gente transparente, era um fantasma.
Eu ia correr dali. Ia mesmo! Só que quando ele viu que eu ia embora, ele gritou e escondeu a cara na mão. E ficava dizendo “Eles morreram, eles morreram! Não me deixa sozinho, eles morreram!” Aí, eu não sabia que que eu fazia, porque não queria ficar ali com um fantasma sujo de sangue, mas tinha medo de ir embora, ele ficar com raiva, e voltar pra puxar o meu pé!
No fim, eu decidi sentar de novo no piano e começar a tocar aquela música que eu inventei. Aquela que eu gravei domingo. Aí, comecei a cantar umas coisas pra ver se o menino parava de chorar. Foi meio difícil, porque minha dor de cabeça começou a piorar. Ah, eu ainda lembro uma parte assim, ó: “Não tenha medo/ Pois vai clarear/ Estou contigo/ Não tem que chorar”. Cantei até parar de ouvir o choro dele. Mas aí, a minha cabeça já tava doendo tanto, mas tanto, que acabei vomitando, e devo ter desmaiado. De manhã, acordei aqui na cama.
Já escureceu e o fantasma não voltou. Acho que ele ficou feliz de eu não ter deixado ele... uh... deixado-o... sozinho, e não voltou para me assombrar.
Um fantasma que eu queria ver era o do meu pai. Tô com tanta saudade!
Mas eu já falei demais hoje, e não aconteceu mais nada de importante. Boa noite!
***
[Protocolo de acesso: 25651723541A25J01
Acesso feito por: Sol Maior – Regimento 2 – Código 003 – Detetive nível 1
Descrição do documento: Carta de J. D. S., 25 anos, para C. V. L., 16 anos.
OBS: Cabeçalho removido na reprodução, de acordo com a diretriz 1.3.7a do código de sigilo do D.A.V.]Como vai a gatinha? Espero que bem. Continuo impressionado com sua inteligência. Sim, você estava certa em todas as suposições. Madame Mercier talvez tenha sido imprudente, mas o fato é que pouquíssimas pessoas observam que ela não mudou muito nos últimos duzentos anos. As pessoas dizem que é impossível, então, preferem acreditar em tudo, menos na verdade que salta aos olhos.
Quanto aquela lista. Acha que fiz mal em publicar? Mas as pessoas tem o direito de saber, não tem? Quero dizer, se seu vizinho é um vampiro, ou uma mula-sem-cabeça, você, no mínimo, tem o direito de se defender, certo? Além disso...
Depois de você ter me contado sobre ele, na última carta, tenho tentado descobrir mais sobre seu pai. Só o que pude apurar é que ele freqüentava o turno da madrugada do conservatório. Mantenho o que tinha dito antes: não há humanos normais nesse turno. Não sei o que ele era, mas você deveria se preparar para qualquer dia desses... Hã... Acontecer qualquer coisa com você. Se bem que você pode não herdar nada. Ou a herança pode nunca se manifestar. Mas não se assuste, o que não mata, fortalece.
Também não tenho pistas sobre o motivo da morte dele. Sei que tudo deve estar lá, nos arquivos da Madame Mercier, mas eles estão todos digitais, agora. E estão num formato incompatível com nossos sistemas operacionais. Já tentei invadir de todas as formas, sem sucesso. Acho que só funciona se usar um dos computadores lá de dentro.
Mas pra que pensarmos nessas coisas desagradáveis? Os dias tem andando bonitos ultimamente. Já tem muito tempo que nos correspondemos e moramos na mesma cidade. Não acha que seria um momento ótimo para um passeio na pracinha da prefeitura? Sem ser nesse fim de semana, no outro, o que acha? Sábado à tarde, talvez? Responda marcando o dia e a hora.
Já contei que estou aprendendo a fazer batatas gratinadas? Se bem que no momento ainda estão mais pra batatas queimadas.
Eu queria escrever mais, mas não tenho tempo. Vou continuar a investigação, e preciso trabalhar, também. Conselho de amigo: não compre um computador antes de fazer um curso básico de informática. Cada ocorrência que me aparece!
Espero sua resposta.
Um abraço.
J.
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